Crianças e adolescentes antecipam fases na vida! Muitos pais se recusam admitir e a lei penal não aceita a existência do fenômeno. Qual o motivo?

Há  muitos anos comprei um relógio especial para corridas. Tinha inúmeras funcionalidades; achei muito difícil operá-lo. Passei o dia lendo o manual e nada. À noite, fui até a casa de meu irmão e meu sobrinho, Felipe, que tinha apenas 5 anos, percebeu que eu estava “apanhando”...

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Há  muitos anos comprei um relógio especial para corridas. Tinha inúmeras funcionalidades; achei muito difícil operá-lo. Passei o dia lendo o manual e nada. À noite, fui até a casa de meu irmão e meu sobrinho, Felipe, que tinha apenas 5 anos, percebeu que eu estava “apanhando” da novidade. Com a maior naturalidade do mundo, ele pediu o aparelho e com velocidade incrível me ensinou todos os detalhes técnicos. Surpreso com sua facilidade em manuseá-lo, perguntei:

“Onde você aprendeu a mexer nesse tipo de equipamento?”.

Ele olhou com desdém e disse:

“Poxa tio, isso é muito fácil”.

A advogada Ana Paula Peniche levou susto na última terça feira de 2016 quando um entregador bateu à sua porta trazendo onze sanduíches cheese bacon completos, com salada de tomate, alface, repolho e cebola. Sem exitar, disse que era engano. O entregador afirmou que o pedido fora encomendado pela internet por pessoa de nome Pedro. Para sua surpresa, o comprador era seu filho, de apenas 4 anos, que havia pego seu celular e realizado a compra através de aplicativo que estava baixado.

Outro caso assombroso aconteceu em Arkansas/EUA, no final do ano passado. Uma menina de 6 anos usou o polegar da mãe para desbloquear o iPhone e comprar 250 dólares, ou seja, cerca de R$ 800 em brinquedos Pokémon no site Amazon.

A genitora, de nome Bethany Howell, adormeceu no sofá. Sua filha, que estava sentada por perto, decidiu “hackear” o telefone. A garotinha sapeca pegou o aparelho e usou o dedo da mãe para desbloqueá-lo, pois era provido de reconhecimento por digital. Em seguida, foi até a carteira da genitora e pegou um dos cartões de crédito para obter o número e código de segurança. No outro dia, a mãe ficou chocada ao descobrir que alguém tinha comprado, com seu cartão, 13 presentes Pokémon. Em seguida, percebeu que todos os presentes eram dirigidos à própria casa. Assim concluiu que fora sua filha a autora da compra pela internet.

Um vídeo antigo, gravado em 2009, que sempre volta a circular pelo whatsapp, mostra um adulto em festa movimentada erguendo uma pistola para o alto e fazendo alguns disparos. Dá a impressão que as imagens foram gravadas em algum país de origem árabe. Na sequência, temos uma cena chocante: uma criança, que não aparenta ter mais do que três anos, aparece segurando a mesma arma em gesto semelhante ao pai, que está bem ao lado. O bebê acaba atirando e acerta em cheio a barriga de um adulto, que começa a sangrar.

Caro leitor, o desenvolvimento, em todos os sentidos, de crianças nos últimos anos tem sido assustador. Chamo a esse fenômeno de “antecipação de fases”.

Dificilmente encontramos pais brincando com bebê falando “bilu bilu”. Os tempos mudaram e mudaram de forma muita rápida. Recentemente, fui a uma padaria degustar café expresso quando observei uma mesa grande onde uma família se reunia. Na cabeceira estava uma criancinha com alguns meses de vida sentada em cadeira especial para bebês. Enquanto os adultos conversavam, o pequeno olhava vidrado para a tela de um tablet, onde jogo eletrônico estava instalado. O garotinho deslizava o dedinho no aparelho com familiaridade e agilidade. Pude perceber que ele já entendia a finalidade do jogo. Provavelmente, ele jamais irá brincar com carrinho miniatura, taco, bolinha de gude, esconde-esconde ou pega ladrão.

Com qual idade atualmente um(a) garoto(a) começa a vida sexual?

E a fase de experimentar cigarro ou bebida alcoólica? Quando se inicia essa curiosidade?

E a possibilidade de alguém próximo oferecer droga ilícita! Com quantos anos acha que seu filho terá essa experiência?

Para o Estatuto da Criança e do Adolescente(ECA), é considerada criança a pessoa com idade inferior a doze anos e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade.

No Brasil, a maioridade penal inicia-se quando o jovem completa 18 anos de idade, passando, assim, a responder pela violação da lei penal na condição de adulto. Nessa nova etapa de vida, o indivíduo é reconhecido como adulto consciente das consequências individuais e coletivas dos seus atos e da responsabilidade legal embutida nas suas ações. Ou seja, para a lei brasileira, antes dos 18 anos o jovem não tem consciência plena de seus atos e portanto não deve responder por crime.

Você concorda com esse raciocínio?

Com qual idade você acha que alguém já entende plenamente a gravidade dos atos praticados?

Infelizmente, essa é uma discussão que não ecoa no Congresso Nacional e nem em muitos lares brasileiros. Assim como a lei penal passa a mão na cabeça de menores infratores, muitas famílias relevam, perdoam e até acham engraçadas atitudes deselegantes, malcriadas e até violentas de seus filhos. A expressão usual é:

“Tadinho, é só uma criança”.


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