Pokémon Go: foi noticiada a primeira morte de criança e depois foi desmentida E agora, o que os pais podem fazer para proteger seus filhos?

Já era previsto que a busca frenética nas ruas pelos monstrinhos japoneses fosse gerar acidentes pessoais e roubos de celulares. A preocupação das famílias com o aplicativo Pokémon GO chega ao ápice com a notícia da morte do menino Arthur Bobsin, de apenas 9 anos....

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Já era previsto que a busca frenética nas ruas pelos monstrinhos japoneses fosse gerar acidentes pessoais e roubos de celulares. A preocupação das famílias com o aplicativo Pokémon GO chega ao ápice com a notícia da morte do menino Arthur Bobsin, de apenas 9 anos. Estranhamente 24h depois, foi desmentida

Mas o que aconteceu com ele? O que foi noticiado pela imprensa?

Arthur e outra criança, moradores da cidade de Imbé, litoral norte do Rio Grande do Sul, aproveitando o domingo (08.08.2016) ensolarado, resolveram, por volta das 15hs, munidos de smartphones, caçar Pokémon, empreendendo, para tanto, verdadeira aventura.
Em um terreno baldio localizaram pequeno barco de fibra e com ele entraram no rio Tramandaí. Ligaram a função GPS nos celulares, assim seriam avisados quando estivessem perto de algum monstrinho. A empolgação dos meninos foi tanta, que o barquinho virou, sendo que o menino Arthur desapareceu nas aguas turvas.
O garoto sobrevivente avisou seus familiares, que de pronto acionaram o corpo de bombeiros. Rapidamente foram iniciadas as buscas e o corpo da criança foi encontrado às 20h. Uma verdadeira tragédia anunciada! Os fatos acima relatados ganharam as páginas dos principais sites de notícia do Brasil e segundo a Brigada Militar local essa foi a versão do menino que sobreviveu. No entanto, o garoto ao ser ouvido na delegacia negou que ele e a vítima estivessem jogando o game na hora do acidente com o barquinho. O inquérito policial vai trazer à baila a verdade sobre a morte da criança.

Como pais podem orientar filho a usar o aplicativo que virou mania mundial a minimizar riscos de acidentes, quedas, assaltos e até o evento morte?

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Essa é a intenção deste artigo, ou seja, orientar pais sobre o que pode ser feito para garantir a segurança de sua prole.
Devemos ter em mente que qualquer brincadeira de criança e adolescente, praticadas nas ruas, sempre foi algo perigoso.
Vamos tomar como exemplo o jogo de futebol nas calçadas. Os meninos correm atrás da bola de forma alucinante, mas é certo que em dado momento a “redonda” vai sair da zona de segurança e rolar para a rua. Alguns jogadores vão ter a cautela de olhar para ambos os lados e somente pegar a bola quando não houver veículos passando. Mas sabemos que alguns jovens ficam tão vidrados com a partida, que vão atrás da “pelota” sem a devida cautela.

Em razão dessa imprudência ao adentrar na faixa de rolamento de veículos, muitos garotos morrem atropelados.

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Não podemos esquecer de outras brincadeiras antigas, como empinar papagaio e também a caça a balões, que podem tirar atenção das pessoas em relação ao item segurança, fazendo com que o participante foque apenas no objeto principal do entretenimento.
Quando estamos concentrados em um jogo, parece que o tempo literalmente para no espaço. É como se o relógio só voltasse a funcionar ao término da brincadeira. O problema é que é impossível determinar o horário exato do final do game. Jogadores de baralho passam horas e até dias jogando e sequer sentem fome e sono.

Na cidade de Divinópolis/MG, no mesmo dia da morte do menino Arthur, vários garotos foram ao cemitério local para caçar as criaturas virtuais. Após o último sepultamento, por volta das 18h10, o coveiro fechou o portão principal e os jovens ficaram trancados. Quando perceberam que não podiam ir embora, pediram ajuda a amigos através dos celulares.

A foto que mostra os três rapazes e uma garota no portão se espalhou pelas redes sociais. A assessoria da Prefeitura foi acionada e entrou em contato com o coveiro, que precisou retornar ao cemitério para liberar a saída dos 4 jogadores de Pokémon GO, isso por volta das 19h10.
Desde o lançamento do Pokémon Go, velórios e cemitérios de várias partes do mundo acabaram atraindo os jogadores. O aplicativo usa locais públicos para criar os chamados “Ginásios” e “PokeStops”; as necrópoles também entraram nessa lista infindável.
Fiquei sabendo através das redes sociais, que jovens maiores de 18 anos e que já possuem habilitação, estão saindo com seus carros e motos atrás dos bichinhos virtuais. Se em dado momento a procura pelo Pokémon for mais importante que o trânsito, é natural que acidentes aconteçam.
A situação pode ficar ainda mais complicada e perigosa!

A novidade é que esse novo game traz a realidade aumentada e tira crianças, adolescentes e jovens, quando jogadores vidrados, de seus quartos e de suas casas.
Do outro lado da mesa, verificamos pais preocupados com a dependência dos filhos pelo game do momento.

Portanto, uma pergunta de suma importância se faz presente!

O que pais devem fazer para evitar que filhos corram riscos desnecessários?
Preparei informações valiosas de ordem preventiva, que passo a expor:

  1. Não adianta proibir. Não é esse o caminho! O Pokémon GO é apenas o início dos chamados games com realidade aumentada e virou febre no Brasil em poucas horas de lançamento. Portanto, o caminho mais seguro é o que chamo de conduta proativa, ou seja, tomar atitudes antes que aconteça o pior.
  2. O primeiro passo para orientar seus filhos é aprender como funciona esse aplicativo. Assim, aconselho a baixar o game em seu smartphone e aprender quais são os recursos. Com isso você ganhará mais autoridade para conversar e interagir com eles.
  3. Se milhões de pessoas estão jogando o Pokémon GO é porque deve ser divertido. Se fosse chato e enfadonho, ninguém estaria brincando. É necessário que seus filhos entendam que o uso deve ser moderado. Assim, estipule, juntamente com eles, o tempo para o divertimento. É preciso estabelecer limites para que não saia do controle.
  4. Outro ponto fundamental, é limitar os locais para participar do game. É do conhecimento de todos que roubos e furtos de aparelhos celulares bateram todos os recordes nas estatísticas policiais. O ideal é que a prática aconteça em locais fechados, como clubes, shopping centers, escolas (horário permitido pelo estabelecimento de ensino), parques municipais e etc. Estabeleça que seus filhos devem se comprometer a dizer aonde irão perseguir os monstrinhos japoneses. Se forem ainda crianças, o ideal é estarem sempre na companhia de adulto.
  5. Antes dos smartphones, pais ficavam extremamente preocupados quando os filhos saiam de casa porque não sabiam de seu paradeiro. Com o advento da internet + celular, ficou fácil monitorar os filhos 24h por dia. É só instalar o aplicativo de rastreamento nos aparelhos de todos os familiares; com isso se consegue acesso on line do geoposicionamento de cada um.
  6. Punição: se o filho descumprir as normas que foram acordadas, caberá a aplicação de penalidade, que poderá ser a interrupção do pacote da internet ou a proibição do uso do Pokémon GO por tempo determinado e assim por diante.

Tenho certeza que o leitor deve estar curioso para me fazer a seguinte pergunta:

Mas será que jovens gostam de receber limites em suas vidas?

Vou responder essa importante indagação através de uma metáfora:
Você sabe até onde é possível entrar num bosque?
A resposta é simples:

“Até a metade dele. Isso mesmo. Até a metade do bosque você está entrando. Daí para a frente, você já estará saindo do bosque”.

Quer ver como funciona a história do bosque?

Imagine que você tem três amigos.
O amigo 1 telefona para você uma ou duas vezes por semana; vocês dão apoio um ao outro quando necessário, comemoram as vitórias um do outro, e assim por diante.
O amigo 2 lhe telefona cinco vezes por dia, todos os dias, sem que nada justifique esse comportamento.
Ele telefona apenas para conversar… esse amigo, certamente, já passou da metade do bosque.
E o amigo 3 telefona para você, quando muito, uma vez por década… esse, com certeza, nem entrou no bosque!
Qual desses amigos você quer manter?
Os pais devem impor limites a seus filhos, estimulá-los a participar da rotina familiar, ensinar-lhes regras de convívio social e transmitir-lhes uma série de valores!!!
Enquanto pais fazem isso com amor e firmeza, estão ajudando os filhos a entrar no bosque.
Mas a partir do momento que endurecem as regras e abusam da autoridade, começam a deseducá-los e a estimular neles a rebeldia, ou seja, podem sair do bosque.
Por outro lado, se não impuserem limites e deixarem seus filhos fazerem o que quiser, não os estarão educando e assim nem chegarão a entrar no bosque.
Os pais têm apenas três opções a escolher em relação aos filhos:

a) Educar
b) Deseducar
c) Não Educar

Logicamente, você prefere educar; por isso fique atento, pois a linha que divide o bosque ao meio é muito tênue e corre-se o risco de ultrapassá-la com muita facilidade.

Se o jovem gosta ou não gosta de limites são outros quinhentos.
O fato é que eles precisam de limites para ter uma vida saudável.

Na verdade, os jovens estão sedentos para que pais imponham limites, para que os genitores digam até onde podem ir e aonde não devem colocar os pés.
Segundo o pedagogo Antônio Carlos Gomes da Costa, os jovens precisam de limites e, de certa forma, os reivindicam.
Mas não devemos, jamais, colocar a exigência antes da compreensão.

Dar limites aos filhos é uma prova de amor!
Ninguém pode fazer tudo o que quiser, pois a vida não é assim.

Portanto, os pais têm de ensinar isso a seus filhos desde cedo.
À criança e ao adolescente, cabe desafiar os limites.
Aos pais, cabe tentar conter esses ímpetos da juventude.
Estabeleça regras claras e bem definidas do que seus filhos podem e do que não podem fazer em relação ao Pokémon GO e outras tantas atividades que geram prazer e divertimento, mas também podem promover sofrimento e tristeza.


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