O stalker que tentou matar Ana Hickmann

CRIME: TENTATIVA DE ASSASSINATO!!! ALVO: ANA HICKMANN DATA: 01/05/2016 (sábado) LOCAL: APARTAMENTO 902 – 9° ANDAR – HOTEL CAESAR BUSINESS/BH AUTOR: Rodrigo Augusto de Pádua, 30 anos. Morava com os pais em Juiz de Fora, Zona da Mata Mineira; tinha vida pacata, era praticante de...

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CRIME: TENTATIVA DE ASSASSINATO!!!
ALVO: ANA HICKMANN
DATA: 01/05/2016 (sábado)
LOCAL: APARTAMENTO 902 – 9° ANDAR – HOTEL CAESAR BUSINESS/BH

AUTOR: Rodrigo Augusto de Pádua, 30 anos. Morava com os pais em Juiz de Fora, Zona da Mata Mineira; tinha vida pacata, era praticante de musculação, não trabalhava e passava a maior parte do tempo dentro de casa. Era um dos 17 milhões de seguidores da modelo.

MOTIVAÇÃO: restou claro, que o agressor tinha obsessão sexual pela modelo. Criou perfil no Instagram só com fotos dela e publicava vários textos para Ana, onde expunha seus sentimentos e o que desejava fazer sexualmente com ela. No Twitter, mantinha várias contas onde fazia postagens marcando o perfil da apresentadora; provavelmente acreditava que assim teria sua atenção e, um dia, seus sentimentos correspondidos. Em razão de pensamentos doentios, transformou o amor platônico em frustração, ódio e raiva, surgindo, consequentemente, o desejo de matar.

PLANEJAMENTO: Rodrigo acompanhava atentamente todos os passos de Ana Hickmann, portanto, não foi difícil descobrir que ela estaria próxima de sua cidade, onde faria o lançamento de coleção de roupas de sua grife.
Portando um revólver calibre 38, com numeração raspada, se hospedou no mesmo hotel da vítima, no quarto – 1305 – 13º andar. Através do snapchat, acompanhou as postagens de sua presa, conseguindo, dessa forma, organizar o ataque. Sabia que a apresentadora estava na companhia de um casal (Gustavo e Giovana), que a assessoravam, e que, provavelmente, teria que enfrentá-los para conseguir realizar seu intento criminoso.

EXECUÇÃO: por volta de 14h, no corredor do 9º andar do hotel, Rodrigo avistou o cunhado de Ana Hickmann, Gustavo Correa. Imediatamente o rendeu e ameaçando-o com a arma de fogo, obrigou-o a levá-lo até o quarto da apresentadora, que estava na companhia de Giovana Oliveira, esposa desse seu primeiro refém. Ato contínuo, forçou as três vítimas a sentarem de costas para ele e passou a ofender a modelo com palavras pejorativas e de baixo calão.

A REAÇÃO:  Gustavo Correa, que além de assessor é irmão do marido da apresentadora, percebeu que não se tratava de assalto e sim de uma pessoa totalmente descontrolada, que poderia, a qualquer momento, acionar o gatilho da arma. Rapidamente, levantou-se e foi em direção ao criminoso, que revidou com dois disparos em direção de Ana Hickmann, mas que atingiram Giovana no braço e abdômen. Os dois homens entraram em luta corporal onde ocorreram mais 3 disparos, sendo que atingiram a nuca e um dos braços de Rodrigo Augusto de Pádua, que veio a falecer no quarto. Gustavo, embora abalado com a tragédia, desceu ao saguão do Hotel, contou o que havia ocorrido, deixou a arma na portaria e pediu que a polícia fosse acionada. A vítima Giovana Oliveira foi socorrida a hospital próximo, onde passou por cirurgia de 5 horas e não corre risco de vida.

ANÁLISE COMPORTAMENTAL DO PERSEGUIDOR

Os fatos apresentados até o momento não dão margem a qualquer dúvida quanto ao fato de que Rodrigo Augusto de Pádua possuía sérios problemas de saúde mental, provavelmente não diagnosticados e nem de conhecimento de sua família. Vasculhei suas diversas contas em redes sociais, sendo que no começo dessa fixação pela apresentadora de televisão ele postou o seguinte recado:

“Achei que eu tivesse ouvido sobre o amor antes de te conhecer, (mas) foi contigo que essas palavras saíram do meu vocabulário e entraram no meu coração. Amor de homem, Ana, eu só senti e sinto por você! Sou mesmo um homem apaixonado!!”.

Esse sentimento à distância foi crescendo na mente doentia do rapaz, que acreditava, piamente, que sua “amada” o acompanhava nas redes sociais:

“Meu Sol, minha luz, minha princesa, meu amor, minha paixão, mulher da minha vida… Eu te amo e te amarei mesmo depois do fim… Quando não houver mais vida na Terra, e as estrelas, os planetas e todo Universo se transformem em nada”

Posteriormente, Rodrigo passou a fazer declarações para a apresentadora e cobrar um relacionamento que só existia em sua mente desvairada:

“Ana, não é possível que você sinta prazer em me fazer sofrer… Ana, eu estou sofrendo muito, eu faço tudo para te ver feliz, e não entendo porque você me machuca tanto (…) Bombom, em nome do nosso amor, você não sabe o quanto dói ser magoado pela pessoa que escolhi amar”.

Nitidamente, o pretenso “amor” platônico aos poucos foi se transformando em ódio e obsessão, surgindo em seguida o desejo de matar a pessoa que o teria rejeitado:

“Que cabeça você acha que eu tenho para ficar aqui fazendo um monte de declarações de amor se você só me f… e não tem um pingo de carinho e consideração por mim?”

Em post recente no Instagram, Rodrigo publicou fotos de seu pênis com os seguintes dizeres:

“Ana Hickmann, meu amor, eu estou muito triste porque você gosta de me ver assim e ainda brinca com isso? Eu quero seu carinho, seu amor, não quero ser magoado! Eu te dou tanto amor, sou tão bom pra você e os meus dias estão desse jeito”.

“O que eu tô fazendo de errado pra merecer isso da mulher que eu amo?! Ana, você está me magoando muito, meu Deus eu não entendo porquê vc me fere assim tds os dias se eu te amo tanto! Porquê?”

O ATAQUE PODERIA TER SIDO EVITADO?

Uma celebridade que possui quase 20 milhões de seguidores não recebe somente elogios. Uma parcela considerável de pessoas usa as redes sociais para colocar para fora suas neuroses e perversões. Não é fácil monitorar todo esse assédio representado por milhões de posts e distinguir quais deles podem ter potencial agressivo e sair do mundo virtual para o real. De qualquer forma, é preciso monitorar e acreditar nos riscos. Geralmente, os “stalkers” são pessoas amadoras, que possuem grande potencial lesivo, mas pouco profissionalismo e ínfimos recursos financeiros; por isso atuam de forma solitária. Portanto, é recomendado equipe de segurança especializada em acompanhamento de Vips.

O ASSASSINATO DE JONH LENNON

No final da tarde de 08.12.1980, John Lennon encontrou com grupo de fãs. Um deles solicitou autógrafo na capa do álbum Double Fantasy, lançado pelo cantor. No final da noite, por volta das 23h, juntamente com sua esposa, Yoko Ono, Lennon retornava de um estúdio de gravação, quando, bem próximo da entrada da residência do casal, é surpreendido pelo homem que havia solicitado o autógrafo, mas que agora portava uma arma de fogo. Sem explicação, o atirador desferiu 5 disparos à queima roupa, sendo que 4 acertaram em cheio o corpo de Lennon. Em seguida, o stalker largou o revolver no chão e permaneceu impassível. O porteiro do edifício do cantor chutou a arma para longe e disse: “Você sabe o que fez?” Mark Chapman respondeu tranquilamente: “Sim, eu atirei em John Lennon”. O mais curioso, é que o assassino não tentou lograr fuga. Sentou-se na soleira da calçada à espera da polícia para ser preso.

POR QUE MATEI JONH LENNON?

Ao ser interrogado pela polícia, Mark Chapman afirmou que era fã dos Beatles, mas que criou ódio do cantor a partir do dia que ele fez a polêmica declaração, em 1966, de que seu grupo musical era mais popular que Jesus Cristo. Ele considerou isso uma blasfêmia mortal. Durante anos sua raiva foi aumentando devido as letras de algumas músicas do cantor. Chapman ainda relatou que no momento em que puxou o gatilho da arma não sentiu emoção nem raiva, apenas um silêncio mortal em seu cérebro. Também salientou que ouviu uma voz misteriosa, do além, que repetia: “Faça isto. Faça isto”.

PERSEGUIDORES/STALKERS DE PESSOAS COMUNS

Você já foi perseguido(a) por parceiro(a) que não se conformou com final de relacionamento? Acredito que todos aqueles que lerem este meu artigo vão responder um sonoro “sim”.
Essa prática horrenda de incômodo é chamada pelos americanos de “stalking”, que deriva do verbo “to stalk”, que significa ficar à espreita, vigiar, espiar.
O stalkeador promove seguidas atribulações à pessoa que o rejeitou afetivamente, tais como inúmeras ligações e mensagens via telefone fixo e celular; remessa de presentes endereçados à casa e ao trabalho, encontros repentinos e inesperados, que provocam constrangimento, além de muitas outras formas de agressões psicológica.
Como exemplo atualíssimo, temos as redes sociais, que, usadas como armas, podem se transformar em terrível pesadelo para as vítimas. Geralmente, começa de forma amigável e, aparentemente, carinhosa, desejando um bate-papo por celular ou ao vivo. Recados e convites insistentes fazem parte do cerco sombrio e são o prenúncio do início da fase mal educada e agressiva, caracterizando o que podemos chamar de cyberstalking.
Em setembro/2015, a Justiça do Distrito Federal condenou um homem a quatro meses de detenção, com pena convertida a acompanhamento psicossocial aos finais de semana, pela prática de “stalking” contra a ex-mulher. Extremamente possessivo e ciumento, não se conformava com o fim do relacionamento e passou a vigiar, perseguir e chantagear a ex-companheira.
A situação ficou tão grave, que ele chegou a ser preso em flagrante, mas em seguida foi beneficiado com a suspensão condicional do processo. No dia seguinte ao ser colocado em liberdade, procurou a vítima, reiniciando todo o processo de perseguição.
O promotor do caso relatou que o ameaçador “buscou minar a resistência psicológica da vítima, mediante vigilância constante, perseguição contumaz, manipulação e chantagem, limitando ilegalmente seu direito de ir e vir, o que caracteriza a prática de stalking”. Por isso, o réu foi preso novamente e ficou em cárcere por cerca de 90 dias,  findo os quais,  foi posto novamente em liberdade.

A juíza Gislaine Reis, em sua sentença, definiu stalking:

“O agente pratica uma conduta de assédio, correspondendo a uma obsessiva perseguição, de modo ativo e sucessivo, sempre na busca incansável de manter-se próximo, por motivos variados, como amor, desamor, vingança, ódio, brincadeira ou inveja”.

Ao terminar relacionamento por excesso de ciúmes, possessividade extrema ou algum tipo de violência física ou verbal, pode esperar que o ex vai chorar, implorar perdão, mandar flores, cesta de café da manhã e etc. A conversa é sempre a mesma e tem intuito de reatar e manter a pessoa próxima:

“Me perdoa amor, prometo que vou mudar; aprendi a lição; você é o amor da minha vida… mereço uma segunda chance”.

Se ofertar a segunda, terceira ou quarta chance, dará oportunidade de o seu parceiro(a) investir contra você com maior intensidade.  Se estiver convicta que não deseja voltar com seu “ex”,  jamais aceite convite para bater-papo, pois pode ser armadilha fatal!
Como especialista em segurança, a estratégia que recomendo para tentar frear o ímpeto do “stalker”, é não retornar qualquer contato dele, seja por telefone ou mensagem.  Não atenda telefonemas e evite qualquer tipo de diálogo. Cada vez que você retrucar, estará lhe dando esperanças. Jamais demonstre piedade ou assuma qualquer atitude que alimente possibilidade de retorno.
O segredo é vencer pelo cansaço, portanto, tome “chá de sumiço”. Se o “ex” te persegue em vários lugares, mude hábitos e rotina. Se a insistência estiver insuportável ou perigosa, dirija-se à Delegacia do seu bairro e peça providências, principalmente para mantê-lo distante!


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