CARONAS COMBINADAS – RISCOS, PERIGOS E DICAS DE SEGURANÇA.

Em razão das facilidades e comodidades que propiciam, os APPs de transportes viraram febre em todo Brasil: Preço mais barato que os táxis convencionais Possibilidade de compartilhar corridas com outras pessoas pagando preço ainda menor Solicitar veículo de onde estiver, sem precisar caçar táxi na rua; coisa...

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Em razão das facilidades e comodidades que propiciam, os APPs de transportes viraram febre em todo Brasil:

  • Preço mais barato que os táxis convencionais
  • Possibilidade de compartilhar corridas com outras pessoas pagando preço ainda menor
  • Solicitar veículo de onde estiver, sem precisar caçar táxi na rua; coisa que é complicada, principalmente à noite e madrugada
  • Pagar com cartão de crédito
  • Acionar táxi para familiar ou amigo que estiver em outra localidade
  • Ter à disposição dados do motorista e veículo, o que permite fazer reclamação, e em caso de esquecer algo no carro, recuperar o bem
  • Ganhar como brinde copo com água e balas

Por outro lado, algumas mulheres passageiras têm feito dois tipos de denúncias graves:

1) Assédio Sexual: motorista “canta” a passageira; tenta convencê-la a tomar um drink em um barzinho ou até mesmo ir a um motel com ele. Em alguns casos, os motoristas, por terem acesso ao número de celular das mulheres, mandam mensagens impróprias via WhatsApp, tentando aproximação amorosa ou sexual

2) Estupro: motoristas, mediante violência ou grave ameaça, tentam abusar sexualmente de passageiras

É importante frisar, que os sérios problemas ventilados acima, que foram noticiados pela mídia em geral, se deram com motoristas devidamente cadastrados documentalmente pelos aplicativos e que apresentaram certidão criminal comprovando não possuírem passagens pela polícia.

Em seguida aos Apps de Transportes, chegou ao Brasil outra novidade oriunda dos EUA e Europa. São os chamadas Caronas Combinadas ou Compartilhadas. A ideia é simples! Alguém que vai viajar sózinho busca caronas para dividir despesas. A ideia a princípio é genial; os envolvidos viajam em grupo e com economia. Outro ponto importante a ser avaliado, é que essa modalidade promove diminuição de veículos circulando, o que ajuda a melhorar o fluxo de carros. Encontramos no Brasil duas modalidade de caronas combinadas:

1) Através de Apps específicos

2) Grupos de WhatsApp de pessoas interessadas em dividir espaço em seus veículos e também passageiros que se propõem a dividir despesas de combustível e pedágio.

É claro que a carona combinada através de App é mais segura, pois uma empresa profissional gerencia os cadastros dos envolvidos, ofertando, assim, minimização de riscos. Por outro lado, é preciso informar que segurança 100% não existe em nenhuma situação, principalmente em nosso país, onde os índices de violência são os maiores do planeta. Portanto, todo cuidado ainda é pouco!

E em relação aos Grupos de WhatsApp, qual o nível de segurança que têm as pessoas envolvidas?

É baixo por várias razões que passo a expor:

  • Geralmente, esses grupos são oriundos da rede social Facebook. Os motoristas postam anúncios com data, horário e destino das viagens que vão realizar e aguardam recados dos passageiros interessados;
  • Os interessados  em compartilhar carona têm perfil no Facebook, onde não é se exigido nenhuma comprovação de identidade pessoal, ou seja, perfis fakes podem ser abertos sem nenhum problema;
  • Muita gente acredita que por estar num grupo de WhatsApp a segurança é maior, mas isso não é verdade. Esse aplicativo de mensagens instantâneas foi criado, originalmente, para contatos apenas pessoais, o que permitia alta segurança. Em seguida, surgiu o recurso denominado “grupo”, onde centenas de pessoas podem fazer parte, mesmo sem se conhecerem, por isso o nível de segurança é baixo.

A razão de escrever este artigo de caráter eminentemente preventivo, foi a ocorrência de crime perverso ocorrido no início de nov/2017, que passo a narrar resumidamente:

A radiologista Kelly Cristina Cadamuro, de 22 anos, postou em seu perfil no Facebook anúncio para carona compartilhada. Uma garota entrou em contato telefônico e disse estar intessada pela viagem e que a faria em companhia de seu namorado. Ocorre que no dia combinado só apareceu um homem, e mesmo assim, Kelly o aceitou na qualidade da carona. Um dia depois Kelly foi encontrada morta! Três suspeitos do crime foram presos no interior de São Paulo. Jonathan Pereira do Prado confessou o assassinato da radiologista. Segundo policiais que participaram da investigação, Jonathan confessou ter entrado no grupo de caronas no WhatsApp já pensando em cometer o crime. Ele costumava combinar caronas entre as cidades e dividia os custos.

” No depoimento, ele diz que ela reagiu e que houve luta corporal forte. Que ela tentou fugir e até chegou a abrir a porta do carro mas ficou presa pelo cinto de segurança. Então, ele a estrangulou, amarrou seus braços com uma corda, que já estava na mochila dele, abandonou o corpo e fugiu com o veículo e os pertences dela ”, disse o delegado Cézar Felipe Colombari da Silva.

DICAS DE SEGURANÇA PARA CARONAS COMBINADAS

  • Dividir despesas em uma viagem é interessante, principalmente no atual momento de grave crise econômica que o Brasil enfrenta. No entanto, por precaução, melhor buscar companhia conhecida, ou seja, entre as pessoas que se conhece no mundo real;
  • Uma indicação feita por pessoa conhecida também é boa opção. Vale lembrar que um amigo virtual não pode ser considerado amigo conhecido. Ao aceitar indicação, peça diversas informações, tais como:

a) Quanto tempo conhece essa pessoa?

b) É amizade virtual ou real?

c) Qual nome completo, profissão, local de trabalho, endereço completo residencial, número de celular e perfis nas redes sociais;

  • A posse desses dados permite se fazer apuração minuciosa na internet. Fique atento com pessoas que não possuem perfis em redes sociais ou se possuem são recentes e com poucos amigos cadastrados;
  • Visitar perfil em rede social de quem pretende levar como carona é uma forma de saber mais sobre ela. Vamos supor que descubra ser pessoa agressiva, mal educada ou com pensamentos ideológicos opostos ao seu. Nesse caso, é melhor recusar a carona e evitar problemas durante a viagem;
  • Não aconselho postar anúncio em página do Facebook, pois assim você expõe sua rotina de viagens para um universo imenso de pessoas que não conhece. A procura por carona combinada deve ser feita por mensagem direta aos seus contatos de amigos pessoais;
  • Se desejar usar aplicativo específico de carona, procure ler as avaliações a partir dos comentários e opiniões de outros usuários. Na maioria dos aplicativos de carona, para ser usuário, seja motorista ou carona, é preciso se cadastrar usando perfil pessoal do Facebook. No aplicativo, os usuários fazem comentários mútuos, criando dessa forma reputação que ajudará os futuros interessados a tomar suas decisões;
  • Se decidir participar da carona combinada através de APP específico, o ideal é pegar carona só com pessoas que têm o perfil verificado e com boas avaliações no aplicativo;
  • Procure fazer contato telefônico com seu “caroneteiro” (passageiro) antes de se encontrar para a carona. Conversando pelo celular, ouvindo a voz e fazendo perguntas específicas, poderá melhor avaliar sua confiabilidade;
  • Mulheres que ofertarem carona devem ter cuidado em dobro. Aconselho a dar carona apenas para outras mulheres;
  • Tente marcar para pegar o carona em comércio de grande movimento, tal como shopping, supermercado, loja com estacionamento privativo ou na loja de conveniência de posto de gasolina;
  • Se porventura a(s) pessoa(s) que aparecer não for a mesma que combinou a viagem ou ocorreu desistências de ultima hora, melhor cancelar por medida de segurança, pois todos esses imprevistos deveriam ter sido avisados anteriormente, através do celular. No crime que mencionei no início deste artigo, Kelly combinou uma carona pelo WhatsApp e pegou um rapaz na Praça Cívica, em Rio Preto. Familiares disseram que ela levaria um casal, mas a mulher desistiu pouco antes da viagem. O homem não era conhecido de Kelly mas ela confiou pois fazia parte de um grupo no WhatsApp.

JORGE LORDELLO


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