Eike perdeu os cabelos, assim como Sansão! Rapar a cabeça de preso é humilhação ou necessidade carcerária

Eike Batista se entregou à Polícia Federal no Rio de Janeiro e ingressou no sistema penitenciário. A foto que tomou conta dos noticiários trazia o ex-bilionário com a cabeça rapada. Jornal carioca afirmou que Eike “não vai mais precisar cuidar do milionário implante capilar realizado em 2010”. Na...

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Eike Batista se entregou à Polícia Federal no Rio de Janeiro e ingressou no sistema penitenciário. A foto que tomou conta dos noticiários trazia o ex-bilionário com a cabeça rapada. Jornal carioca afirmou que Eike “não vai mais precisar cuidar do milionário implante capilar realizado em 2010”.

Na verdade, trata-se de regra interna na maioria dos presídios brasileiros.

As Secretarias Estaduais de Administração Penitenciárias baixam portarias estabelecendo normas e regras de comportamentos dos detentos. É importante lembrar que todos os investigados pela Operação Lava Jato que foram presos tiveram também os cabelos cortados, mas é claro que a repercussão no caso de Eike foi bem maior pois trata-se de brasileiro que já esteve entre os 10 homens mais ricos do mundo.

Antes venerado pela habilidade empresarial, agora é escrachado em razão das acusações de corrupção.

Defensorias públicas de diversos Estados já tentaram reverter essa normatização. Alegam ferir o respeito e a dignidade humana. A advogada Nara Borgo, que já integrou a Comissão de Direitos Humanos da OAB-ES, disse, recentemente, em entrevista, que:

“A escolha do corte de cabelo é uma da poucas formas de o preso manter sua individualidade. É algo pessoal, não há necessidade de intervenção. A alegação de que é uma questão da higiene não é verdadeira porque senão teriam que agir da mesma forma com as mulheres”.

No sistema carcerário brasileiro, o corte de cabelo de homens é antigo e tem como justificativa a higienização, principalmente para impedir a proliferação de pragas, a manutenção de padronização e disciplina para todos os detentos.

As regras são estas:

-Cortar cabelo utilizando-se como padrão o pente número 2 da máquina de corte

-Rapar a barba

-Aparar bigode

-Mulheres com cabelos compridos devem mantê-los presos

Muitos entendem como correta a alegação sanitária para cortar cabelo e barba dos homens detidos, mesmo que provisoriamente. Outros acham que é ritual de humilhação e sede de vingança contra aqueles acusados de crimes.

Qual a sua opinião?

No candomblé, rapar a cabeça é um momento de purificação e modo de fazer a pessoa renascer, se preparando para receber sua divindade. Tirar o cabelo, para o iniciado, significará cortar todos os elos, retroceder à infância, época em que a pureza e a inocência estão presentes, sem existir vaidade e soberba; apenas humildade.

Na Bíblia Sagrada encontramos em Jó 1:21-22 a seguinte passagem:

“Então Jó se levantou, rasgou o seu manto, rapou a cabeça e lançou-se em terra e adorou; e disse: Nu saí do ventre de minha mãe, e nu voltarei; o Senhor o deu e o Senhor o tomou, bendito seja o nome do Senhor”.

O entendimento da leitura desse pensamento é que despir-se de roupas é um símbolo. Rapar a cabeça é reconhecer a autoridade de alguém, respeitando-a e se sujeitando a ela.

A prática de rapar a cabeça, como retaliação, começou na Idade Média, quando mulheres acusadas de adultério eram desnudadas e tinham o símbolo de sua beleza, os cabelos raspados.

A cabeleira de Sansão era, segundo um costume israelita, símbolo da consagração. Conservar a cabeleira, portanto, vinha a ser em Sansão sinal de amor e devoção a Javé. Ele tinha um voto que não poderia tomar bebida forte, tocar em nada impuro e nem rapar a cabeça.

Sansão era muito forte, chegou  até mesmo a matar um leão. Ele foi juiz do povo hebreu por 20 anos, que era inimigo dos filisteus.  Mas Sansão era desobediente e acabou se casando com Dalila, que era filisteia.

Certo dia, ele ingeriu bebida forte e assim quebrou uma das normas. Assim Dalila cortou seus cabelos e por isso os filisteus prenderam Sansão, furaram seus olhos e ele virou motivo de chacota.

Diante de tanta humilhação, Sansão reconheceu seu erro e orou a Deus que restituísse sua força para derrotar os filisteus, ainda que para isso ele viesse a morrer.

E assim aconteceu, mesmo cego e prisioneiro dos filisteus, Sansão recuperou sua força e derrubou os pilares do templo onde eles  estavam, inclusive Dalila, matando mais filisteus em sua morte que em sua vida.

Portanto, o corte da cabelereira de Sansão tirou-lhe a força e a arrogância, mas fez brotar em seu coração a humildade, que o fez ressurgir com muito mais sabedoria e força. Quem dera os culpados pelos desvios de dinheiro no Brasil, que tiveram seus cabelos raspados ao adentrar em prisões, tenham, no recanto de cela pequena e desconfortável, o reconhecimento dos erros cometidos e o comprometimento de quando deixarem o cárcere serem pessoas melhores e honestas.


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