Em SP, ladrões se passando por moradores entram em prédios e arrombam apartamentos com a maior facilidade!!! Lordello mostra como trabalhar a prevenção!

Virou moda: bandidos desarmados ludibriam porteiros e entram em apartamentos cujos moradores estavam trabalhando ou viajando. Câmeras de segurança flagraram a ação de vários marginais entre os meses de julho a setembro de 2018. Jovem com traços orientais e celular na mão se aproxima da...

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Virou moda: bandidos desarmados ludibriam porteiros e entram em apartamentos cujos moradores estavam trabalhando ou viajando.

Câmeras de segurança flagraram a ação de vários marginais entre os meses de julho a setembro de 2018.

Jovem com traços orientais e celular na mão se aproxima da portaria de prédio de luxo na Zona Sul de SP.

Ao chegar perto do portão o porteiro libera a entrada acreditando ser morador do edifício.

Fingindo olhar o celular para impedir imagem nítida de seu rosto, o criminoso entra com facilidade, às 13h, pela portaria social.

Curiosamente, o bandido sabe o caminho para o elevador social, ou seja, não se perde dentro do condomínio. Tem-se a impressão que ele conhece o caminho a percorrer.

Com alguma ferramenta que escondia dentro da roupa, consegue arrombar a porta do apartamento-alvo e ninguém ouve o barulho.

Após 30 minutos ele surge pela escadaria com mochila nas costas onde levava pertences de um apartamento que estava vazio naquele horário pois os moradores estavam de viagem para os EUA.

O marginal levou joias da família, dinheiro, notebook e câmera fotográfica.

Na mesma semana, outro edificio de classe média foi invadido na cidade de Santo André/SP.

Desta vez, são dois jovens que se aproximam da portaria se passando por moradores. O que toca o interfone alega que esqueceu o cartão de acesso.

Mais uma vez a portaria liberou a entrada sem as devidas checagens.

Menos de 30 minutos depois os dois criminosos saem carregando duas sacolas grandes.

A dupla deixa o prédio tranquilamente levando dinheiro, joias e equipamentos eletrônicos de um dos apartamentos invadidos.

Nesse mesmo período outro edifício foi invadido com extrema facilidade.

Neste caso, os autores do crime são dois menores de idades. Por imposição legal, não é permitido mostrar a fisionomia dos bandidos juvenis.

O porteiro não desconfia e franqueia a entrada dos jovens, que estavam bem vestidos.

Rapidamente a dupla entra no elevador social e segue para apartamento onde, provavelmente, tinham ciência que o único morador estava trabalhando.

O modus operandi é sempre o mesmo. O arrombamento provavelmente foi feito com chave de fenda.

Somente depois de 3 horas deixaram o apartamento com mochilas nas costas levando pertences de valor do morador, ora vítima.

A moradia foi toda revirada e o prejuízo chegou a R$ 100 mil.

Em artigo recente, que publiquei em meu site www.doutorseguranca.com.br, ensino síndicos e gerentes prediais a evitar a entrada de pessoas não autorizadas pela portaria de pedestres e pela garagem.

Por outro lado, é preciso suscitar algumas reflexões importantes quanto o aspecto segurança condominial:

Como os autores das invasões tiveram acesso a informações internas dos locais invadidos?

Como sabiam que no interior dos apartamentos arrombados havia principalmente dinheiro e joias?

Os apartamentos invadidos estavam vazios no momento do ataque. Como os bandidos souberam que os condôminos estavam trabalhando ou viajando na hora da invasão?

Caro leitor, uma coisa é certa, não foi fruto da sorte ou do mero acaso.

A conclusão é uma só:

Os bandidos estavam municiados com uma série de informações que envolviam as famílias-vítimas e tinham conhecimento das plantas dos edifícios invadidos, ou seja, sabiam exatamente como entrar, se movimentar internamente e também o caminho para deixar os locais com os pertences subtraídos.

A pergunta que não quer calar é a seguinte:

De que forma os jovens bandidos conseguiram tantas informações privilegiadas para orquestrar invasões com sucesso e sem nenhum tipo de obstáculo?

A fuga de informações pode-se dar por vários ralos no interior do edifício.

Não podemos esquecer que o ambiente caseiro do interior de cada apartamento se reproduz nas áreas comuns dos condomínios. Por estarem em um ambiente fechado por muros e gradis e com portaria 24h, os moradores e empregados domésticos acabam falando um pouco demais quando circulam pelas áreas de lazer, elevadores, guarita e etc.

O entra e sai de entregadores e prestadores de serviços nos prédios e no interior dos apartamentos também pode ser raiz de fuga de informações.

Lembre-se que condomínios novos possuem paredes divisórias cada vez mais finas e com isso a propagação de conversas intimas da família podem vazar.

Postagens na internet, principalmente nas redes sociais, de fotos e informações do interior de apartamentos também podem atrair a atenção de curiosos mal-intencionados.

Investigações policiais já apontaram usuários de drogas que são filhos de moradores e se envolveram com quadrilhas especializadas em invasões a condomínios.

Por último, temos a língua solta de alguns funcionários de portarias, que, de forma dolosa ou culposa, entregam informações preciosas para que marginais orquestrem crimes no interior de condomínios residenciais.

O leitor pode estar desejando me fazer a seguinte pergunta:

“Mas Lordello, como fechar tantas possibilidades de fuga de informações privilegiadas em meu prédio?

Seria pueril demais acreditar que tantas pessoas envolvidas vão seguir à risca orientações de segurança no que refere a proteção de informações familiares e do local de moradia.

Esse trabalho de conscientização pode e deve ser feito, mas a estratégia mais eficaz é criar no condomínio:

  1. a) controle de acesso seguro de pessoas, veículos e mercadorias com base em triagem eletrônica
  2. b) normas e procedimentos rígidos aprovados em assembleia e disseminados nos quatro cantos do prédio
  3. c) punição rápida e sem quebra-galho para quem desrespeitar as regras
  4. d) treinamento pelo menos uma vez por ano para porteiros
  5. e) zelador deve ser capacitado a trabalhar como supervisor de segurança
  6. f) monitoramento constante de todas as atividades ligadas à segurança através de relatórios e imagens disponibilizadas ao síndico

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