Estratégias para instalação de passa volumes em portões que aumentam o nível de segurança na hora de recebimento de mercadorias em prédios

Recentemente, fui visitar casal de amigos que reside no bairro da Vila Olímpia/SP. Estacionei meu carro na vaga para visitantes e me dirigi à portaria, sendo que na minha frente estava um entregador de pizza. Fiquei observando os procedimentos para recepção da mercadoria. Logo em...

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Recentemente, fui visitar casal de amigos que reside no bairro da Vila Olímpia/SP. Estacionei meu carro na vaga para visitantes e me dirigi à portaria, sendo que na minha frente estava um entregador de pizza. Fiquei observando os procedimentos para recepção da mercadoria.

Logo em seguida, de dentro do prédio, surgiu um morador, que foi liberado pelo porteiro e ingressou na clausura de pedestres; em seguida, a porta de entrada do condomínio foi aberta. Nesse momento o motoboy entrou na clausura para fazer a entrega da pizza ao morador.

Resolvi testar o nível de segurança do local e, mesmo sem autorização, ingressei na clausura.

Para minha surpresa, o porteiro abriu o segundo portão sem sequer saber a qual apartamento eu me dirigia. Curiosamente, o passa volume acoplado na alvenaria da guarita blindada existente no local não foi utilizado. Para piorar, na hora que deixei o apartamento do casal de amigos e me aproximei da guarita, percebi que outro morador estava pegando encomenda de farmácia recebida pelo porteiro através da porta blindada.

Conclusão: Mesmo possuindo equipamentos de segurança de bom nível, apresenta brechas incríveis na área de segurança, pois os procedimentos estão errados.

Primeiramente, gostaria de alertar síndicos de que não adianta investir em portaria blindada com passa volume se o equipamento não é usado no cotidiano.

Muitos moradores acham mais prático receber encomendas através da abertura da porta da guarita ou ter contato direto com entregadores, pois, assim, o processo de recebimento é mais rápido.

Realmente é, mas perde bastante em segurança.

A primeira dica é que os porteiros devem receber ordem expressa de não receber e nem repassar qualquer tipo de mercadoria através da porta da guarita, que deve permanecer sempre fechada.

O passa volume acoplado na alvenaria deve ser usado para aumentar o nível de segurança ao se receber mercadorias ou documentos para cadastramento de pessoas.

A porca começa a torcer o rabo quando o assunto é recebimento de delivery, principalmente à noite.

O número de entregas chega a ser grande na maioria dos prédios e o uso do passa volume seria um complicador, na visão de alguns.

Para minimizar essa fragilidade, a recomendação é abertura de pequeno vão no portão de entrada, pois assim o condômino pode fazer o pagamento e receber a mercadoria encomendada sem necessidade de abertura do portão.

Aconselho que a abertura desse vão deve acontecer no portão principal, pois assim o entregador continuará na calçada.

É bastante comum síndicos abrirem vão no chamado segundo portão da clausura. Com isso, o entregador ficaria na clausura e o morador no interior do edifício.

Acho interessante síndicos abrirem vãos nos dois portões, pois nas diversas situações do cotidiano, principalmente no tocante ao recebimento de mercadorias, isso pode facilitar, mas tomando-se a cautela de sempre manter o morador ou empregado doméstico protegido por uma barreira física, ou seja, um portão.

É melhor ter as duas possibilidades visando atender todas as diversas demandas.

Para finalizar, entendo que quando o assunto é priorização da segurança condominial, o porteiro não deve liberar entrada ou saída de morador a pé no momento em que outro morador estiver recebendo mercadoria delivery; isso para evitar que o entregador tenha acesso ao mesmo ambiente da pessoa que fez a encomenda, pois, com a abertura do portão, poderia também ingressar na área restrita.

Todos os problemas ventilados acima ocorrem quando o edifício possui apenas uma entrada de pessoas junto a guarita.

Tenho recomendado nas palestras que ministro para síndicos e construtores, que o ideal é o que chamo de “entradas independentes”, ou seja, uma entrada para moradores e outra para pessoas estranhas ao prédio, tais como entregadores delivery, prestadores de serviços, triagem de visitantes, entre outros

Assim, é possível um morador receber, em total segurança, mercadoria do motoboy e ao mesmo tempo outro morador entrar ou sair a pé do prédio sem ter contato físico com pessoas estranhas ao local.

Por último, volto a frisar que a porta da guarita não é o local ideal para recebimento de mercadorias. Ela deve ser mantida fechada, trancada e monitorada eletronicamente; seja blindada ou não, sendo que qualquer contato com o porteiro deve ser feito através de interfone.


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