FAKE NEWS – CASO ANDREAS VON RICHTHOFEN..

A PRESSA NA PUBLICAÇÃO DA NOTÍCIAS SEMPRE SERÁ INIMIGA DA VERDADE DOS FATOS No final de maio/2017, exatamente no dia 30, uma notícia policial comoveu os brasileiros: “ Retirado da Cracolândia por policiais militares, Andreas Albert Von Richthofen estava sob “abuso de substâncias ilícitas”, segundo...

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A PRESSA NA PUBLICAÇÃO DA NOTÍCIAS SEMPRE SERÁ INIMIGA DA VERDADE DOS FATOS

No final de maio/2017, exatamente no dia 30, uma notícia policial comoveu os brasileiros:

“ Retirado da Cracolândia por policiais militares, Andreas Albert Von Richthofen estava sob “abuso de substâncias ilícitas”, segundo laudo médico. ”

O problema é que as manchetes não eram totalmente verdadeiras. Mesmo assim, a informação incorreta permaneceu cerca de 24 horas nos principais veículos de comunicação.

O que é verdade?

  • O irmão de Suzane realmente foi detido por policiais após invadir uma casa. Isso é verdade.
  • Andreas Richthofen usou algum tipo de droga ilícita. Essa informação é correta.
  • O rapaz, de 29 anos de idade, enfrentou surto psicótico e por esse motivo foi internado em clínica psiquiátrica. Isso também ocorreu e está comprovado.

O que é Fake?

Não se descobriu o motivo e nem a fonte que divulgou a primeira notícia, que Andreas estava na região da cracolândia. Essa informação é inverídica; depois se levantou que ele foi detido no bairro da Chácara Flora, Zona Sul/SP, que fica a cerca de 25 km da chamada cracolândia, situada no centro de São Paulo, no bairro dos Campos Elíseos.

Não acredito que a inserção da palavra “cracolândia” na manchete ocorreu por acaso. Creio que a redação aconteceu para tornar ainda mais bombástica a notícia. O pior, é que na pressa e imediatismo de publicar o rumoroso acontecimento, a mentira se tornou verdade, pelo menos na imprensa e redes sociais.

Mas por que a “cracolândia” foi inserida nesse contexto?

No dia 22/05/2017 cerca de 1000 agentes das polícias Civil e Militar, além de guardas municipais, realizaram grande operação na região da Cracolândia, no Centro de São Paulo, retirando os dependentes e prendendo pelo menos 38 marginais pela prática de tráfico de drogas e porte ilegal de armas. Ou seja, a cracolândia estava em total evidência na mídia.

Ficou claramente demonstrado como é engendrada uma notícia falsa, ou parte dela, e como elas crescem e se multiplicam no mundo real e digital, como um vírus endêmico, potente e prejudicial à saúde da informação correta.

Apesar dos desmentidos, muita gente ainda acredita que o fato envolvendo Andreas Von Richthofen ocorreu na região da cracolândia e que o rapaz é dependente de crack, o que também não restou provado. A única coisa que se sabe, é que ele teria feito uso de álcool e maconha semanas antes do surto psicótico que vivenciou.

Depois do fiasco do erro nas manchetes envolvendo o irmão de Suzane, outra notícia veio à tona, mas que ainda não fiquei convencido de sua veracidade.

“ Richthofen havia sido abordado por equipes de Saúde da Prefeitura no dia anterior, quando lhe foi oferecido cuidados e tratamento médico, mas o paciente recusou ”.

“ Richthofen estava frequentando a Cracolândia. O local era usado por ele como ponto para abastecimento de droga ”.

Por que acho que essa informação é falsa?

Nenhum funcionário ou responsável da Prefeitura municipal de São Paulo confirmou essa notícia.

Nenhuma testemunha ou mesmo dependente que frequenta a região da cracolândia foi entrevistado atestando a veracidade dessa informação.

Não há foto, imagem ou vídeo de Andreas nas proximidades da região central de São Paulo.

Portanto, entendo que essa informação é falsa e não deve ser levada em consideração, até que se prove o contrário.

Na verdade, o drama vivido pelo irmão de Suzane é por demais triste e merece a compreensão de todos, diante da tragédia familiar que o abateu. Em um único dia, quando tinha apenas 15 anos, veio a perder os pais e em seguida a irmã, ao ser descoberto que ela havia participado ativamente do assassinato dos genitores.

O Instituto de Internet de Oxford(IIO) concluiu, recentemente, que noticias falsas são compartilhadas com a mesma voracidade que as verdadeiras, trazendo, assim, distorção gravíssima na opinião pública.

Não podemos acreditar de plano em notícias bombásticas lançadas por mídias desconhecidas ou não confiáveis.

Por outro lado, fica a lição para os profissionais sérios de imprensa, sobre a necessidade suprema de se confirmar os detalhes de uma notícia inicialmente publicada, mesmo em veículos de comunicação importantes e comprometidos com a verdade dos fatos. Não se pode acreditar de imediato em tudo que foi publicado. É necessário checar!

Antigamente se dizia que era preciso “gastar sola de sapato” para levantar dados mais precisos sobre determinada matéria a ser publicada. Atualmente, com a rede mundial de computadores, esse trabalho tornou-se bem mais fácil e rápido, mas mesmo assim demanda tempo e paciência para levantamento de dados.

A pressa na publicação da notícias sempre será inimiga mortal da verdade dos fatos.

No caso envolvendo Andreas Albert von Richthofen bastavam duas ligações telefônicas; uma para a delegacia e outra para o batalhão da polícia militar da área responsável pela cracolância, para descobrir que o irmão de Suzane não havia sido detido naquela localidade frequentada por crackeiros. Como ninguém quis perder tempo checando com mais rigor todas as informações, todos erraram.

JORGE LORDELLO


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