LORDELLO EXPLICA COMO LIDAR COM A TURMA DO CONTRA EM ASSEMBLEIAS DE CONDOMÍNIOS

Sempre que necessitamos de algum produto ou serviço, temos liberdade de escolher o padrão ou nível que melhor atenda nossos objetivos. A compra pode ser definida em razão do preço, prioridade ou outros fatores. A mesma empresa que oferece seguro de auto ou plano de...

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Sempre que necessitamos de algum produto ou serviço, temos liberdade de escolher o padrão ou nível que melhor atenda nossos objetivos. A compra pode ser definida em razão do preço, prioridade ou outros fatores.

A mesma empresa que oferece seguro de auto ou plano de saúde, geralmente, coloca à disposição do cliente de 2 a 4 opções de valores, com variações, é claro, dos benefícios.

Ao comprar um auto blindado, o cliente também poderá escolher qual o nível balístico que deseja.

Fiz essa introdução, para falar sobre os debates nas assembleias gerais de condomínios quando o tema é segurança patrimonial.

Já fui convidado para ministrar palestras em diversos prédios; sempre foi nítida a diversidade de pensamentos que testemunhei nessas ocasiões.

Observe os entraves mais comuns:

  • Alguns moradores querem mais segurança e outros mais comodidades
  • Condôminos idosos relutam em aceitar novidades tecnológicas
  • Temos os pragmáticos, que não querem nenhum tipo de alteração nos controles de acesso de pessoas e veículos e, geralmente, expressam o seguinte pensamento: “Nosso prédio é tranquilo e seguro; nunca tivemos um assalto sequer”.
  • Alguns moradores optam por serem contra pelo simples fato de acreditarem que o valor do condomínio vai aumentar.
  • E temos o eterno entrave e disputa entre o síndico e/ou conselheiros que deixaram o mandato e têm rusgas com a administração atual. Talvez esse seja o pior problema, pois as discussões geradas durante as reuniões com moradores são eivadas de sentimentos vingativos e competitivos.

Com a vontade de boicotar novas ideias quando o tema é segurança, a “turma do contra” procura o confronto trazendo, muitas vezes, informações equivocadas ou que foram criadas na hora, sem nenhum embasamento, somente com o propósito de gerar dúvida na mente dos presentes. Para tanto, falam de forma exaltada e firme, tentando convencer os presentes que sua visão é a mais correta.

In dubio pro reo é uma expressão latina que, literalmente, significa na dúvida, a favor do réu.

Ela expressa o princípio jurídico da presunção da inocência, que diz que em casos de dúvidas (por exemplo, insuficiência de provas) se favorecerá o réu.

Em assembleias condominiais, se a “turma” que é contra a atual administração conseguir gerar a “dúvida” durante a reunião, é bem provável que consiga angariar alguns votos e impedir a implementação de novas medidas de segurança.

 Portanto, se o síndico ou o presidente da assembleia não tiverem pulso e boa estratégia, os ânimos irão se aflorar e ao final não ocorrerá a votação. Com isso, todos os moradores perdem, pois temas importantes não avançarão na possibilidade de implementação.

Uma das estratégias mais comuns para gerar polêmica em assembleia, é tentar desqualificar a aquisição de determinado equipamento físico ou eletrônico de segurança, dizendo que não teria eficácia em razão de determinada ação da marginalidade.  

Nessa hora surge o famigerado:

“ E se… ”

Como o morador não tem argumento técnico para contrapor a nova ideia, parte para o que chamo de “teoria do absurdo”, ou seja, cria naquele momento possibilidade inusitada de assalto, e de forma inflamada, tenta fazer valer sua opinião.

Em uma das palestras que ministrei para síndicos no Secovi/SP, um administrador condominial narrou que ao tentar implementar a instalação de mais um portão na garagem para criação da clausura de autos, foi surpreendido com a argumentação de um morador, que expôs a seguinte situação:

“ E se jovens bandidos tentarem invadir o prédio correndo pela garagem quando o carro estiver entrando, de nada adiantará dois portões, por isso, sou contra ”.

 O sindico resolveu replicar:

 “ O senhor vai me desculpar, mas nunca ouvi falar nessa modalidade de crime. Por favor, conte para todos nós em qual edifício aconteceu algo parecido ”.

O morador não gostou da indagação, mesmo porque, tinha acabado de criar a hipótese, mas mesmo assim não deixou barato e retrucou:

“ Não interessa se isso nunca aconteceu, pois temos que prever tudo ”.

O participante do evento explicou que esse morador do contra havia feito parte da administração anterior e pouco fez para melhorar a segurança do condomínio.

A estratégia para quem estiver comandando reunião em edifício, é não fomentar a discussão e logo após o comentário infundado, ofertar ligeiro contraponto e partir para o próximo tema.

Temos que ter em mente que a decisão será tomada mediante votação e vencerá sempre os votos da maioria dos presentes.

É preciso aprender a conviver com as diferentes ideias e convicções dentro dos condomínios.

Aos administradores cabe trazer as melhores ideias e soluções para as diferentes necessidades prediais.

Assim como escolhemos o tipo de plano de saúde ou seguro de carro de acordo com nossas prioridades e tamanho do bolso, caberá aos moradores definir, mediante votação, qual o nível de segurança adequado.

Devemos lembrar que a responsabilidade é de cada um, mas a decisão caberá à maioria.

 

                                                      JORGE LORDELLO


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