Meu presente ao amigo leitor

Próximo do Natal, um renomado pintor, durante um sonho, convenceu-se de que deveria pintar um quadro que retratasse a coisa mais bela do mundo. Ao levantar bem cedo, ficou triste, pois não sabia ao certo que figura desenhar. Resolveu sair andando, por uma estrada empoeirada...

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Próximo do Natal, um renomado pintor, durante um sonho, convenceu-se de que deveria pintar um quadro que retratasse a coisa mais bela do mundo. Ao levantar bem cedo, ficou triste, pois não sabia ao certo que figura desenhar. Resolveu sair andando, por uma estrada empoeirada quando encontrou um velho sacerdote. O artista resolveu perguntar ao religioso: “Pretendo pintar a coisa mais linda do mundo. Será que o senhor pode me orientar?”. O sacerdote respondeu com facilidade: “É muito simples. Em qualquer igreja ou crença você achará o que procura. A fé é a coisa mais magnífica do mundo”. O pintor continuou seu caminho e mais tarde encontrou com uma jovem noiva e logo perguntou se ela sabia qual era a coisa mais bela do mundo. A mocinha disse: “O amor é lógico. O amor torna os pobres em ricos; suaviza as lágrimas; faz muito do pouco. Sem amor não há beleza”. A indecisão tomou conta do pintor que resolveu continuar sua caminhada. Um soldado exausto cruzou o seu caminho e quando o pintor lhe fez a mesma pergunta, ele respondeu: “A paz, é a mais bela coisa do mundo. A guerra, a mais feia. Onde você encontrar a paz, fique certo que encontrará beleza”. Mais a frente o pintor gritou para o universo: “Fé, Amor e Paz. Como poderei pintá-las?”. Desanimado o artista resolveu voltar para casa. Ao entrar na sala encontrou com a coisa mais bela do mundo. Nos olhos dos seus filhos estava a Fé. O Amor brilhava no sorriso de sua esposa. E em seu lar, havia a Paz que lhe falara o soldado. O homem refugiou-se em seu ateliê e pintou o quadro que retratava a coisa mais linda do mundo: sua família reunida celebrando o dia de natal.
Há mais de 7 anos, tenho tido esse contato maravilho com os amigos leitores através do Diário de Suzano. Escrever para vocês tornou-se uma responsabilidade muito grande para mim, pois sei que muitas pessoas levantam bem cedinho, as quartas feiras, para lerem minhas crônicas. Neste momento, tomado de muita emoção conto uma estorinha especial.
Era noite do dia 24 e Felipe tentava-se manter acordado, pois desejava pegar o Papai Noel no “flagra” depositando seu presente no pé de meia que estava pendurado na porta de seu quarto. Repentinamente dormiu, só acordando pela manhã, quando observou que não havia presentes no pé de meia. Seu pai desempregado, com os olhos cheios de água, observava atentamente o desapontamento de seu filho. Nesse exato momento o menino disse: “O Papai Noel se esqueceu de mim?” Felipe abraça seu pai e os dois se põem a chorar. Soluçando a criança comenta: “Ele também se esqueceu do senhor papai?” O genitor explica: “Não meu filho. O melhor presente que eu poderia ter ganhado na vida está em meus braços. Fique tranquilo, pois eu sei que Papai Noel não se esqueceu de você. O seu presente esta te abraçando agora e vai te levar para um dos melhores passeios da sua vida!”. E assim, foram para um parque e Felipinho brincou com seu pai durante o resto do dia. Chegando em casa muito sonolento, Felipe foi para o seu quarto, e redigiu para o Papai Noel: “Eu sei que é cedo demais para escrever e pedir alguma coisa, mas quero agradecer o presente que o senhor me deu. Desejo que todos os Natais sejam como esse, fazendo com que meu pai esqueça de seus problemas e que ele possa se distrair comigo, passando uma tarde maravilhosa como a de hoje. Descobri que não são com brinquedos que somos felizes e sim, com o sentimento que esta dentro de nos, que o senhor desperta nos Natais. De quem te agradece por tudo, Felipinho”. E foi dormir.
Entrando no quarto para dar boa-noite ao seu filho, o pai de Felipe viu a  cartinha e a partir desse dia, não deixou que os seus problemas afetassem a felicidade dele e começou a fazer que todo dia fosse um Natal para ambos.
Gostaria de dividir com todos os amigos leitores um pouquinho do que foi minha vida esse ano: Trabalhei? Sim. Mais do que esperava e menos do que devia. Ganhei dinheiro? Sim. O suficiente para pagar minhas contas e ajudar um pouco os mais necessitados. Cresci? Sim. Na medida em que consegui  sair da minha “casca” e compreender melhor o outro. Chorei? Sim. Só um pouquinho depois das frustrações. Gargalhei? Sim. Muito, com meus amigos. Persegui? Sim, meus ideais que não abro mão. Amei? Sim. Mas não o suficiente para me apaixonar. Envelheci? Sim. Com sabedoria e paciência. Fui feliz? Sim. Sou muito feliz, pois tenho Deus no coração. Por isso meus queridos amigos, eu desejo a vocês que a Divina Providência possa ser com todos tão generosa quanto tem sido comigo. Peço ainda que insistam em construir um mundo de paz, de harmonia e de amor, com o qual tanto sonhamos, o qual só será construído a partir de pequenos gestos de compreensão, solidariedade, respeito, ternura, fraternidade, benevolência, indulgência e perdão no dia a dia. Que Deus guie nossos passos e tome conta de nossos corações.
Feliz Natal!


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