Natal emocionante

Vou narrar um acontecimento que se deu no meio do século passado, com um homem chamado Michael, que residia em uma cidadezinha do oeste americano. Muitas pessoas dizem que é um fato verídico, outras alegam que é pura invenção de um fanático cristão. Qual será...

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Vou narrar um acontecimento que se deu no meio do século passado, com um homem chamado Michael, que residia em uma cidadezinha do oeste americano. Muitas pessoas dizem que é um fato verídico, outras alegam que é pura invenção de um fanático cristão. Qual será sua opinião? Michael costumava olhar o Natal como uma festa sem o menor sentido. Para ele a noite de 24 de dezembro era a mais triste do ano. Dizia que nessa data muitas pessoas se dão conta de quão solitárias são e que outras acabam se recordando, com tristeza, de entes queridos já falecidos. Michael era um homem bom, cuidava bem de sua esposa e filhos; na medida do possível ajudava o próximo e era honesto nos negócios. Entretanto, não podia admitir que as pessoas fossem ingênuas a ponto de acreditar que um Deus havia descido à Terra só para consolar os homens. De personalidade forte, Michael não tinha medo de dizer a todos que o Natal, além de ser mais triste que alegre, também estava baseado numa história irreal ? um Deus se transformando em homem.
Como sempre, na véspera da celebração do nascimento de Cristo, sua esposa e filhos foram à igreja. Michael, por ser ateu, permaneceu em casa, alegando ser hipocrisia acompanhar a família a uma celebração em que não acreditava. Sentou em sua cadeira preferida, acendeu a lareira e começou a ler o jornal da cidade. Entretanto, logo foi distraído por um barulho na janela, seguido de outro e mais outro. Achando que era alguém jogando bolas de neve, Michael pegou o casaco para sair, na esperança de dar um susto no intruso. Assim que abriu a porta, notou um bando de pássaros que haviam perdido o rumo por causa de uma tempestade e agora tremiam na neve. Como tinham notado a casa aquecida, tentaram entrar, mas, ao se chocarem contra o vidro, machucaram suas asas e só poderiam voar de novo quando elas estivessem curadas. “Não posso deixar essas criaturas aqui fora”, pensou ele. “Mas como ajudá-las?” Michael foi até a garagem, escancarou a porta e acendeu a luz. Os pássaros, porém, não se moveram. “Eles estão com medo”, pensou o rapaz. Então, entrou na casa, pegou miolo de pão e fez uma trilha para orientá-los, mas a estratégia não deu resultado. Michael abriu os braços, tentou conduzi-los com palavras carinhosas; empurrou delicadamente um e outro, mas os pássaros ficaram mais nervosos ainda e começaram a se debater, recusando-se, terminantemente, de entrar. “Vocês devem estar me achando uma criatura monstruosa. Será que não entendem que podem confiar em mim? Se eu tivesse, neste momento, uma chance de me transformar em pássaro só por alguns minutos, vocês veriam que eu estou realmente querendo salvá-los!”, bradou exaltado. Naquele exato momento o sino da igreja tocou, anunciando a meia-noite. Um dos pássaros se transformou em anjo e perguntou: “Agora você entende por que Deus precisava transformar-se em ser humano no Natal?” Com os olhos marejados, Michael respondeu: “Perdoai-me Senhor por duvidar de ti”. Imediatamente, os pássaros desapareceram. Michael trocou de roupa, se dirigiu à igreja e na companhia da esposa e dos filhos celebrou, com enorme felicidade, o nascimento de Jesus Cristo – pela primeira vez na vida.


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