Pais que traumatizam e prejudicam filhos

Era uma tarde ensolarada de sábado; o paciente pai levou seu filho ao circo que se instalara no bairro. Ao se aproximar da bilheteria, disse: “Quanto é a entrada?” O caixa respondeu: “O preço para adultos é R$ 15 reais; crianças com menos de 10...

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Era uma tarde ensolarada de sábado; o paciente pai levou seu filho ao circo que se instalara no bairro. Ao se aproximar da bilheteria, disse:

“Quanto é a entrada?”

O caixa respondeu:

“O preço para adultos é R$ 15 reais; crianças com menos de 10 anos não pagam”.

O homem entregou 3 notas de dez reais e recebeu dois ingressos. O funcionário, por curiosidade, resolveu perguntar a idade da criança.

“Meu filho completou dez anos o mês passado”.

O rapaz do caixa deu um sorriso e concluiu:

“Se tivesse falado que tinha 9 anos eu teria acreditado e assim o senhor  teria economizado quinze reais” .

O pai ofertou uma lição de vida:

Você tem razão, mas essa economia não valeria a pena, pois meu filho saberia que eu, para levar uma pequena vantagem, não estava dizendo a verdade”.

O leitor conhece o ditado popular que diz: “Faça o que eu digo mas não faça o que eu faço”.

No livro “Educando com Amor e Responsabilidade”, que escrevi com o Dr. Lair Ribeiro, comentamos que muitos pais cometem esse grave erro, principalmente com filhos de 1 a 10 anos.

O rei Salomão escreveu uma das frases mais importantes no processo educacional familiar:

 “Ensina a criança no caminho em que deve andar e, ainda quando for velho, não se desviará dele”.

 As crianças não conhecem instintivamente a diferença entre certo e errado; elas têm que ser ensinadas. O que você ensinar ao seu filho nos primeiros 10 anos de vida, provavelmente, determinará a direção que ele seguirá durante o resto de sua vida. Esses ensinamentos, na maioria das vezes, ocorrem por mera transpiração, ou seja, filhos modelam, copiam, tendem a repetir num futuro próximo o comportamento dos pais.

 Imagine pais que brigaram muito na frente do filho de tenra idade. E aqueles agressivos, que descontaram na criança suas frustrações conjugais. Não podemos esquecer do casal que se separou em ambiente de guerra, sendo que pai ou mãe ou os dois passaram a desconstituir a imagem um do outro perante a criança.

Como fica a cabecinha do filho pequenino em meio dessa desarmonia familiar?

E os pais que bebem, fumam ou ingerem remédios em excesso na frente dos filhos pequenos?

O que os filhos vão modelar no futuro?

 Muitos casais, principalmente enquanto esperam o nascimento do primeiro filho, realizam esforços financeiros para adquirir bonito enxoval e decorar o quarto do bebê como se fosse o aposento de um príncipe ou princesa. Enquanto se preocupam com o exterior, esquecem de buscar informações preciosas no tocante ao tipo de educação que vão dar ao filho e quanto ao ambiente ideal dentro do lar para a criança se desenvolver com tranquilidade e serenidade.

Dar “tudo do bom e do melhor” ao filho não deveria significar, como a maioria acredita, proporcionar roupas lindas e escolas caras. O “bom e o melhor”, para uma criança, é o exemplo construtivo que ela recebe dos pais dentro de casa.


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