Para descumprir normas, moradores ameaçam e humilham funcionários. Como o condomínio deve lidar com esse grave problema que expõe a segurança da coletividade residencial?

Nos treinamentos que realizo para capacitação em segurança de funcionários da área de controle de acesso e vigilância patrimonial de condomínios de casas, uma questão levantada pelos participantes tem sido uma constante. Trata-se do relato de graves ocorrências praticadas por alguns moradores quando chegam aos...

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Nos treinamentos que realizo para capacitação em segurança de funcionários da área de controle de acesso e vigilância patrimonial de condomínios de casas, uma questão levantada pelos participantes tem sido uma constante. Trata-se do relato de graves ocorrências praticadas por alguns moradores quando chegam aos seus residenciais em carro de amigoS ou taxi/uber.

Para que o leitor entenda melhor o problema, vou explanar de forma ampla e didática sobre o assunto.

Condomínios residenciais horizontais geralmente possuem três entradas para veículos.

Senão, vejamos:

Baia 1) Entrada para veículos cadastrados de moradores: o condômino deve parar o carro em frente da cancela e terá três opções para identificação eletrônica:

  1. a) Biometria
  2. b) Cartão de acesso
  3. c) Senha pessoal, que deverá ser digitada no teclado

Após realizada a identificação eletrônica do morador, a cancela se abre automaticamente.

Baia 2) Entrada exclusiva para visitantes dos moradores: o visitante terá que conversar com o funcionário da recepção e fornecer os seguintes dados:

  1. a) Nome completo
  2. b) Número do RG
  3. c) Endereço do morador
  4. d) Nome do morador que deseja visitar

O colaborador irá anotar em programa especifico no computador todos os dados fornecidos, incluindo a placa, modelo e cor do auto. Alguns residenciais ainda tiram foto do interessado a ingressar no residencial. Ressalta-se, que, normalmente, os demais ocupantes do carro não são registrados, o que acho temerário.

Com todos esses dados, o funcionário entrará em contato com o morador solicitando a liberação do visitante, e em caso afirmativo, registrará no sistema o nome de quem liberou o acesso e respectivo horário.

Baia 3) Entrada exclusiva para prestadores de serviços: o controle de acesso é praticamente igual ao do visitante, pois necessitará sempre de autorização para  ingressar no residencial. Geralmente, os passageiros do motorista também são cadastrados.

Esse é o modelo padrão de entrada de autos para condomínios de casas.

Como se diz no interior, “a porca começa a torcer o rabo” quando o morador chega na portaria na condição de passageiro em veículo de amigo ou em Taxi/Uber e solicita que o condutor ingresse na baia exclusiva para autos de moradores.

Esse procedimento leva a duas situações distintas:

1) O morador, sentado no banco do passageiro, estica-se para alcançar o equipamento eletrônico que libera a cancela, burlando, assim, as normas internas.

2) O morador abre o vidro e solicita ao vigilante para liberar a cancela. Diz que está no carro de amigo ou Uber, por exemplo. Nesse caso, o funcionário que segue as normas internas do condomínio indica que o motorista ingresse pela baia de visitantes para que possa ser devidamente identificado. Alguns moradores “intimam” a recepção a abrir a cancela. Para evitar maiores traumas, normalmente, é atendido, mesmo na contramão das regras do residencial. Nesses casos, não temos registro de entrada das pessoas porque não foram triadas.

É preciso compreender que o morador pode estar rendido e sendo coagido a liberar a entrada de bandidos.

 

Outro ponto negativo, é que esse tipo de situação serve de mal exemplo para todos os colaboradores da área de segurança, que ao enfrentar problema parecido, fatalmente liberarão a entrada sem nenhum tipo de verificação.

MAS O QUE A ADMINISTRAÇÃO DEVERIA FAZER PARA EVITAR ESSE TIPO DE BRECHA NA SEGURANÇA?

Alguns colaboradores, eventualmente, registram no livro de ocorrências gerais dos condomínios o problema acima ventilado. No entanto, raramente ficam sabendo se algum tipo de providência foi tomada; e assim a farra das transgressões continua.

Moradores devem ser punidos de acordo com o regimento interno toda vez que desrespeitarem as normas de segurança; e as multas pecuniárias não podem ser baixas para não estimular a impunidade.

Entendo que a administração deve promover campanha de conscientização em segurança e explicar a importância de todos seguirem as normas internas. É preciso mostrar que a comodidade de alguns pode colocar em risco a segurança de todos os moradores, empregados domésticos e do residencial.

Em seguida, caberá ao gestor cobrar de seus colaboradores da portaria o cumprimento às normas, doa a quem doer.

Se o morador ou qualquer outra pessoa não desejar passar pela triagem devida, o funcionário da portaria deverá travar a cancela e impedir a entrada do carro não autorizado.

Câmeras  de segurança devem ser instaladas em locais apropriados para capturar imagens desse tipo de infração.

Toda atitude grosseira, mal educada ou intempestiva do morador, deverá ser relatada no livro de ocorrências gerais para que em seguida sejam aplicadas as penalidades devidas.

Não se pode permitir que poucos moradores enfraqueçam a segurança de todo condomínio.

A pressa e a comodidade de alguns não podem prevalecer ao interesse coletivo, tendo em vista as inúmeras notícias de invasão a condomínios horizontais.

Em recente pesquisa, verificou-se que 38,1% dos funcionários entrevistados já haviam sofrido assédio moral, sendo que 11,13% afirmaram que estão sendo vítimas há quase um ano. A humilhação constitui um risco invisível e prejudicial à saúde dos funcionários e ao ambiente corporativo, revelando uma das formas mais poderosas de violência sutil nas empresas.

Para finalizar, vale lembrar que os colaboradores da segurança não são empregados dos moradores e sim do condomínio. Por isso, devem seguir à risca as normas e procedimentos ditados pela administração e não a vontade de moradores sem o devido respaldo no Regimento Interno.


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