Por que Bolsonaro não usava colete balístico no dia do atentado?

Nas eleições brasileiras, o corpo a corpo é algo antigo, já disseminado em nossa cultura. A regra é clara: os candidatos devem estar próximos do povo. O aperto de mão, o abraço apertado e o cafezinho no bar da esquina fazem parte da campanha da maioria...

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Nas eleições brasileiras, o corpo a corpo é algo antigo, já disseminado em nossa cultura. A regra é clara: os candidatos devem estar próximos do povo. O aperto de mão, o abraço apertado e o cafezinho no bar da esquina fazem parte da campanha da maioria dos candidatos a cargos eletivos.

Nesta altura do assunto, cabe uma pergunta:

Mas será que é seguro para aqueles que disputam eleições a exposição pública em ruas e avenidas entupidas de eleitores e curiosos?

Não é preciso ser especialista em segurança para afirmar com todas as letras que o risco de algum incidente contra a integridade física do candidato é alto.

Em rápida pesquisa pelo google, é possível encontrar matérias jornalísticas onde candidatos em período eleitoral foram agredidos, empurrados, xingados e atingidos por ovos, tomates e até pedras.

O período que antecede as eleições torna o ambiente social tenso e é natural que os ânimos se acirrem, principalmente quando há polarização de ideologia partidária.

A preocupação com a segurança dos candidatos é tanta, principalmente para os cargos do executivo, que a própria legislação prevê acompanhamento de policiais sem custos financeiros para os partidos.

Na tarde do dia 06.09.2018, na cidade de Juiz de Fora/MG, o candidato Bolsonaro era carregado nos ombros por apoiadores quando um homem se aproximou e desferiu uma facada em sua região abdominal. Felizmente, ele foi socorrido com rapidez e após operado seu estado é estável.

Imediatamente após o atentado, ainda durante o processo cirúrgico pelo qual passou Jair Bolsonaro, os comentários na imprensa e nas redes sociais apontavam que a equipe de segurança do candidato havia falhado em sua missão.

O leitor concorda com essa afirmação?

De acordo com minha experiência na área de segurança pública e privada, o primeiro a ser apontado como culpado é o encarregado pela segurança. Curiosamente, a discussão fica num plano bastante raso. No calor das emoções é comum apontar o dedo para o elo mais frágil, como se o esquema de segurança dependesse única e exclusivamente dos agentes de segurança.

As imagens da facada recebida pelo candidato Bolsonaro foram vistas por diversos ângulos, gravadas por câmeras de celular e assim cabe algumas considerações:

-A rua estava entupida de populares;

-Muitos desejavam se aproximar do candidato e se possível receber um abraço, um aperto de mão ou tirar selfie;

-O empurra-empurra era grande, pois o candidato tinha um trajeto a fazer. Cada manifestante procura achar melhor ângulo de visão e não mede esforços para isso;

-O cordão de isolamento, feito por policiais à paisana, jamais seria plenamente efetivo tendo em vista a multidão existente no local, sem contar que a pessoa a ser protegida não estava parada e sim em movimento.

É importante o leitor saber que campanhas para cargos eletivos dessa magnitude os candidatos contam com o apoio de equipes multidisciplinares, tais como:

-Financeira

-Propaganda e Marketing

-Apoio Logístico

-Jurídica

-Material de campanha

-Militância e cabos eleitorais

-Redes sociais

-Pesquisa Eleitoral e etc.

Todas as equipes elencadas têm como finalidade auxiliar o candidato a ganhar as eleições, ou seja, conseguir o maior número de votos possíveis.

Outro fator a ser considerado, é que a “equipe de segurança” do candidato, que não tem a menor preocupação e nem expertise em angariar votos, acaba não recebendo o mesmo valor, atenção ou importância que as demais.

Após essas considerações, gostaria de voltar um pouco no tempo, exatamente aos minutos logo após o atentado contra a vida do candidato Bolsonaro, quando surgiram diversos comentários na imprensa e redes sociais fazendo a seguinte colocação:

“A equipe de segurança falhou”.

Será que foi correta essa primeira conclusão?

Mas será que um médico, sem contar com as devidas condições de trabalho, conseguiria na mesa de cirurgia salvar a vida de um paciente gravemente enfermo?

E um mecânico, por melhor que seja, sem ter à sua disposição as ferramentas necessárias, será que teria êxito em providenciar conserto complicado em auto?

A equipe de segurança que estava ao lado do candidato Bolsonaro fez o que pode naquela fatídica tarde. Infelizmente, não foi possível evitar o ataque à faca, mas o socorro foi extremamente profissional. Um carro já estava à disposição para qualquer emergência e o paciente chegou ao hospital em apenas 10 minutos.

Os médicos que o atenderam relataram que se a condução de Bolsonaro levasse mais alguns minutos, dificilmente teria sobrevivido. Portanto, antes das críticas, devemos enaltecer o trabalho de pronta-resposta promovido pelos agentes de segurança pública após o incidente ocorrido.

Um dos princípios fundamentais da segurança é o seguinte:

“Segurança não pode ser totalmente delegável, cada um deve assumir sua parcela de responsabilidade”.

Foi divulgado pela mídia que o candidato Bolsonaro tinha à sua disposição colete á prova de bala e que fez uso desse equipamento em algumas ocasiões durante a campanha.

Mas por que não estava trajando o colete balístico embaixo da camisa amarela?

Acredito que a recomendação da equipe de segurança do Bolsonaro era para que ele usasse, na maioria do tempo, o citado equipamento balístico, principalmente quando em contato com populares, ou seja, em lugares públicos.

Mas devemos entender que a decisão de usar ou não o colete acaba ficando a cargo da autoridade a ser protegida.

Já presenciei agentes de segurança pública e privada orientarem a pessoa a ser protegida a não ir em algum evento ou evitar contato com público em situações de maior risco. Na maioria dos casos, não foram atendidos. Esse tipo de situação provoca brechas na segurança e aumenta a tensão para aqueles que fazem o gerenciamento de risco.

O Ministro da Segurança, Raul Jungmann, após o incidente garantiu que o candidato Bolsonaro não seguira o protocolo de segurança fornecido pelos Agentes da Polícia Federal. Uma das orientações era para não ser carregado, evitando assim ser um alvo fácil.

Outro questionamento importante, é o seguinte:

Colete à prova de bala protege contra facada?

A resposta mais simples é a seguinte:

Depende do tipo de colete e também do tipo de arma branca utilizada!

O colete balístico mais comum é o que somente garante proteção contra disparo de arma de fogo; não impede 100 % a penetração de uma faca profissional bastante afiada ou de outro instrumento perfurante.

Pensando em segurança também contra armas brancas, o mercado fornece o colete balístico chamado de “multi-ameaças”.

É de se lembrar, que Adélio Bispo de Oliveira utilizou faca simples de cozinha para atingir o candidato, e como não conseguiu proximidade com o alvo, esticou o braço para acertar Bolsonaro, perdendo, assim, velocidade e força. Dessa forma, acredito que qualquer colete balístico teria bloqueado a penetração no corpo do alvo.

CONCLUSÃO:

Que o presente caso sirva de alerta para que os candidatos a cargos eletivos aceitem as orientações do corpo de segurança ao cumprirem agenda de eventos durante a campanha eleitoral.

Para finalizar, deixo uma frase que uso bastante em minhas palestras sobre segurança pessoal, familiar e empresarial:

“Não há trabalho tão importante, e nem lazer tão urgente, que não possa ser feito com segurança”.


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