Prédios estão sendo invadidos pelos chamados criminosos de oportunidade

Muita gente pensa que invasões a prédios são planejadas pelos criminosos bem antes antes da execução; mas não é sempre assim. Em muitos casos, a “oportunidade” é uma brecha encontrada de forma aleatória. Uma boa parcela da bandidagem, principalmente os que são viciados em drogas e...

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Muita gente pensa que invasões a prédios são planejadas pelos criminosos bem antes antes da execução; mas não é sempre assim. Em muitos casos, a “oportunidade” é uma brecha encontrada de forma aleatória.

Uma boa parcela da bandidagem, principalmente os que são viciados em drogas e moram nas ruas, fica perambulando por ruas e avenidas buscando algo para roubar. Não há nada planejado; eles ficam atentos a situações de vulnerabilidade promovidas por pessoas desatentas com a segurança pessoal.

Serve de exemplo desse tipo de ação, os fatos ocorridos no início de outrubro de 2018, na hora do almoço, por volta das 14h, e que foram documentados pelas fotos seguintes.

Observe os 3 jovens andando na calçada, um deles é menor de idade.

No exato momento em que passam na frente de um prédio, o portão de pedestre se abre porque um morador estava saindo.

Um dos bandidos espera o morador sair do condomínio e segura a porta.

O morador, que estava falando ao celular, ficou um pouco desconfiado, tanto que chegou a olhar para trás, provavelmente por não ter reconhecido como morador o indivíduo que segurou a porta, mesmo assim seguiu seu caminho e não tomou nenhuma providência.

O marginal mantém a porta aberta para que os dois comparsas também ingressassem no interior do condomínio.

Os bandidos escolheram um apartamento para arrombar acreditando que ninguém estivesse lá. Mas havia uma moradora, que ouviu barulho estranho em sua porta e gritou. Assim, os marginais foram embora sem nada levar.

A presente narrativa enquadra-se no que chamo de “crime de oportunidade”, ou seja, a vontade dos bandidos de cometer o delito surgiu repentinamente ao notarem uma “facilidade” no momento em que passavam na frente do edifício e a porta abriu.

Pergunta que não quer calar:

A invasão poderia ter sido evitada?

Claro que sim. Para explicar técnicas de segurança condominial é preciso distinguir dois agentes participativos:

1) Morador: segurança não pode ser delegada; cada um dos envolvidos deve ter sua parcela de cooperação e responsabilidade. O morador a pé quando sair ou entrar no prédio deveria ter em mente a necessidade de fechar o portão e não simplesmente abrí-lo e passar sem ter a certeza de seu fechamento. Minhas pesquisas apontaram grande incidência de moradores demasiadamente educados mas sem percepção de segurança. Seguram o portão para que outras pessoas aproveitem a abertura, mesmo sendo completamente desconhecidas. Condôminos devem entender que a liberação de entrada no edifício deve ficar a cargo do porteiro, que deve sempre fazer a devida triagem.

2) Porteiro: o profissional de portaria deve atender sempre todas as normas e procedimentos criadas pela administração no que tange ao controle de acesso seguro de pessoas. Nunca pode permitir que o “piloto automático” faça com que determinações sejam deixadas de lado. Se o morador segurou o portão para o ingresso de alguém sem a sua autorização, deverá, através do interfone, solicitar que o intruso ou carona retorne à calçada para a devida triagem. Se o prédio tiver na portaria clausura de pedestre, o porteiro não deverá abrir o segundo portão antes que a pessoa, que ainda não passou pela triagem, retorne para a rua. Outro ponto importante, é que antes de abrir o portão de pedestre para o morador, empregado doméstico ou do edifício, deverá olhar através da vidraça da guarita ou pelo sistema de câmeras de segurança, se pessoas suspeitas estão passando na frente do condomínio. Se isso estiver ocorrendo, deverá deixar o morador na clausura e somente quando os suspeitos saírem da frente do prédio abrir o portão. Se o morador reclamar da demora, caberá, via interfone, explicar as medidas de segurança tomadas em prol da segurança do reclamante.

Mas como criar em meu prédio cultura de segurança entre funcionários da portaria, zelador e moradores?

Os colaboradores da área de segurança do condomínio devem passar por treinamento, capacitação e reciclagem pelo menos uma vez por ano.

Os moradores devem receber sistematicamente informações sobre segurança condominial por e-mail, WhatsApp, avisos afixados nos elevadores, banners instalados em locais visíveis e através de palestras proferidas por especialistas no salão de festas.


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