QUAL O PRAZO DE VALIDADE DE UMA MENTIRA?

Uma parábola judaica muito antiga conta que certo dia a mentira e a verdade se encontraram. A mentira disse para a verdade: “ Bom dia, dona Verdade ”. E a verdade foi conferir se realmente era um bom dia. Olhou para o alto, não viu nuvens...

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Uma parábola judaica muito antiga conta que certo dia a mentira e a verdade se encontraram. A mentira disse para a verdade:

“ Bom dia, dona Verdade ”.

E a verdade foi conferir se realmente era um bom dia. Olhou para o alto, não viu nuvens de chuva e vários pássaros cantavam. Vendo que realmente era um bom dia, respondeu para a mentira:

“ Bom dia, dona mentira ”.

“ Está muito calor hoje ”, disse a mentira.

E a verdade, vendo que a mentira falava a verdade, relaxou. A mentira, então, convidou a verdade para se banhar no rio. Despiu-se de suas vestes, pulou na água e comentou:

“ Venha dona Verdade, a água está uma delícia ”.

E assim que a verdade, sem duvidar da mentira, tirou suas vestes e mergulhou, a mentira saiu, vestiu-se com as roupas da verdade e foi embora. A verdade, por sua vez, recusou-se a vestir-se com as vestes da mentira. E por não ter do que se envergonhar, saiu nua a caminhar pelas ruas.

Aos olhos das pessoas, era mais fácil aceitar a mentira vestida de verdade do que a verdade nua e crua.

Caro leitor, mas será que mentir vale a pena?

Creio que não, pois o prazo de validade de uma mentira é uma questão apenas de tempo…

Todo dia o filho inventava uma mentira:

“ Mãe, a vovó tá no telefone! ”.

A mãe largava a louça na pia e corria até a sala e encontrava o telefone mudo. O garoto já havia inventado morte do cachorro da família, adulterara o boletim escolar para apontar nota dez em matemática e etc. A mãe tentava assustá-lo:

“ Seu nariz vai ficar igual ao do Pinóquio! ”.

O menino ria na cara da genitora:

“ Quem tá mentindo é a senhora! Não existe ninguém de madeira! ”.

O pai, chateado com o procedimento do filho, fez o seguinte aviso:

“ Um dia você contará uma verdade e ninguém acreditará! ”.

Quando perdemos a confiança em alguém por causa de uma mentira, principalmente se a inverdade trouxe graves prejuízos materiais ou emocionais, quando a pessoa falar a verdade, sempre haverá a dúvida e a desconfiança e assim a verdade soará como enganosa.

O filosofo grego Aristóteles deixou o seguinte pensamento:

“ Que vantagem têm os mentirosos, a não ser de não serem acreditados quando dizem a verdade? ”.

JORGE LORDELLO


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