QUANDO O SÍNDICO CEDE À PRESSÃO DE MORADORES QUE QUEREM COMODIDADE AO INVÉS DE SEGURANÇA.

No início de fev/2018, foi registrada ocorrência de fato extremamente grave que aconteceu em condomínio residencial no Distrito Federal. Domingo, logo pela manhã, os moradores ouviram forte estrondo; por sorte, ninguém estava na garagem, o que, possivelmente, evitou muitas mortes. O piso frontal do prédio cedeu...

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No início de fev/2018, foi registrada ocorrência de fato extremamente grave que aconteceu em condomínio residencial no Distrito Federal. Domingo, logo pela manhã, os moradores ouviram forte estrondo; por sorte, ninguém estava na garagem, o que, possivelmente, evitou muitas mortes.

O piso frontal do prédio cedeu em cima de 25 carros estacionados no subsolo. Uma das hipóteses para o desabamento, é o excesso de peso provocado pelos carros estacionados na parte elevada.

Caro leitor, a palavra “fatalidade” é sempre indevida em casos de acidentes.

Faço aqui um alerta para síndicos que permitem a presença de maior volume de carros nas áreas de estacionamento, principalmente em feriados festivos.

Em 2016 fui passar a noite de réveillon no apartamento de amigos, na zona sul/SP. Achei por bem ir de táxi, pois sabia da dificuldade em estacionar no condomínio.

Logo que cheguei, observei fila considerável de autos entrando na pequena garagem do prédio, que tem um apartamento por andar. Ao ver o zelador tentando coordenar as vagas do subsolo, fiz questão de dar uma espiadinha; os veículos dos visitantes eram colocados nas áreas de circulação da garagem. Como o local estava apinhado de carros, perguntei ao funcionário:

Quantas vezes por ano acontece esse exagero de autos na garagem do edifício?

“ Olha Lordello, cerca de 3 a 5 vezes por ano ”.

“ Ninguém do prédio tem receio de ocorrer desabamento ou afundamento do piso da garagem ”?, perguntei.

 O zelador, com olhar arregalado, fez a seguinte confissão:

 “ Sabe que nunca tinha pensado nisso ”.

 Continuei com as perguntas:

 “ Qual a capacidade de carros desse subsolo? ”

 “ Lordello, não sei ao certo, mas acredito que temos 32 vagas ”

 “ Quantos veículos você calcula que estão ajeitados por aqui? ”

 “ Acredito que em torno de 45 carros, e devem chegar mais ”.

 Por fim, resolvi aconselhar:

 No próximo dia útil, converse com o síndico e exponha o risco que o prédio está correndo com esse exagero de autos na garagem. Antes disso, verifique na documentação expedida pelo Corpo de Bombeiros qual a quantidade de carros permitida e anote quantos autos foram estacionados hoje ”.

 A resposta do zelador foi inusitada:

 “ Lordello, você está indo participar de festa no apartamento onde o síndico está presente. Explique você mesmo sua preocupação; será mais fácil ele entender a gravidade da situação ”.

 E foi o que fiz!

Durante a festividade fui apresentado ao administrador do condomínio; quando tive oportunidade, narrei o que vi na garagem.

Inicialmente, ele disse que era praxe do edifício tentar colocar os carros dos visitantes na garagem, pois os moradores tinham receio que seus convidados fossem assaltados na rua.

Ao custo de ser considerado desagradável, coloquei-o contra a parede ao perguntar: e se ocorrer desabamento ou o chão do subsolo ceder; quem vai arcar com os prejuízos?

 E se alguém ficar ferido gravemente ou até ocorrer o evento morte, quem será responsabilizado criminalmente?

 Sem argumentos frente a gravidade dos graves problemas que levantei, ele comentou que simplesmente atendia pedido dos condôminos, mas sabia que estava errado em ceder à vontade de alguns colocando em risco a integridade física e o patrimônio de toda coletividade.

Acredito que naquela noite tirei o sossego do síndico, mas pelo que fiquei sabendo, o fato nunca mais se repetiu.

 O leitor deve entender que não se deve gerar comodidade diminuindo o nível de segurança do local a ser protegido.

 A Pirâmide de Maslow, proposta por Abraham Maslow, é uma divisão hierárquica das necessidades humanas. É por demais importante entender a importância das prioridades e respeitá-las. Síndicos, gestores e administradores jamais devem ceder à vontade de alguns que pleiteiam comodidade ao invés da segurança. Seria, na verdade, uma inversão perigosa de prioridades!

 

JORGE LORDELLO


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