Quanto pesa a mochila que o leitor carrega nas costas?

João estava na margem de um rio e queria passar para o outro lado. A correnteza era muito forte e seria impossível atravessar a nado. Foi quando viu uma pequena canoa presa na vegetação ribeirinha. Rapidamente coloco-a n’água, pôs-se a remar e rapidamente chegou na...

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João estava na margem de um rio e queria passar para o outro lado. A correnteza era muito forte e seria impossível atravessar a nado. Foi quando viu uma pequena canoa presa na vegetação ribeirinha. Rapidamente coloco-a n’água, pôs-se a remar e rapidamente chegou na outra margem.

Assim que botou os pés em terra firme, pegou a canoa, colocou-a nas costas e partiu em direção à floresta. Algumas pessoas que observaram toda a cena e ficaram espantadas com a atitude inesperada de João, lhe perguntaram:

“Por que você colocou a canoa nas costas? De que ela servirá agora que você já atravessou o rio?”

O rapaz, então, suado e cansado do esforço em carregar a embarcação nas costas, respondeu:

“Esta canoa me ajudou muito a atravessar o rio. Eu não posso abandoná-la. Espero que agora ela me ajude também a atravessar a floresta”.

Amigo leitor, será que estamos cometendo o mesmo erro de João?

Será que carregamos no presente acontecimentos que deveriam ter ficado no passado?

Não me lembro do nome do filme americano que assisti há mais de 30 anos onde um guia de viagem em região montanhosa carregava nas costas uma grande mochila com equipamentos que poderiam suprí-lo em uma eventual necessidade. O problema é que conforme os meses iam passando a bagagem ficava cada vez mais pesada, até o dia que ele não conseguiu mais caminhar.

Muitas pessoas sofrem do mesmo problema; guardam na mente sentimentos e lembranças que deveriam ser apagadas, esquecidas ou apenas servir de lição de vida, nada mais que isso. Não é nada inteligente gastar uma enormidade de energia com o passado que já se foi ou com o futuro que ainda não chegou e pode não chegar.


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