SERÁ QUE A GUARITA DO MEU PRÉDIO, QUE DIZEM SER BLINDADA, REALMENTE PROTEGERIA O PORTEIRO EM CASO DE DISPARO DE ARMA DE FOGO?

No mês passado visitei um amigo que reside em prédio na zona sul de São Paulo. O edifício, recém entregue, tem poucos moradores. A maioria dos que adquiriram unidades ainda estão realizando reformas antes da mudança definitiva. Como meu amigo foi um dos primeiros a...

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No mês passado visitei um amigo que reside em prédio na zona sul de São Paulo. O edifício, recém entregue, tem poucos moradores. A maioria dos que adquiriram unidades ainda estão realizando reformas antes da mudança definitiva.

Como meu amigo foi um dos primeiros a residir no local, acabou assumindo a função de síndico. Indaguei a ele sobre a segurança e ele disse que estava tranquilo pois a guarita era blindada. Ao ouvir isso, tive que alertá-lo:

“ Mas será que a portaria é mesmo um ambiente blindado? ”

Ele garantiu que sim, que fazia parte da propaganda da incorporadora na época da venda. Resolvi retrucar:

“ Mas como tem certeza sobre a blindagem arquitetônica? ”

A resposta foi simplória:

“ Lordello, bati com a mão no vidro; dá para perceber que é blindado ”.

A resposta que dei o deixou preocupado:

“ Vidro blindado é apenas um dos requisitos de uma estrutura blindada; e o resto? ”

Resolvi auxiliar e, para tanto, pedi a ele que fossemos verificar a portaria mais detalhadamente. O porteiro achou um pouco estranho eu analisar toda a estrutura minuciosamente. Ao final de 15 minutos de inspeção visual, pedi um martelo. Ele solicitou que o zelador trouxesse a ferramenta.

“ Mas o que você vai fazer com isso Lordello? ”

Com o martelo na mão, pedi permissão para testar uma das paredes. Escolhi um local que não fosse visível ao público e martelei com força. Para surpresa do síndico, o instrumento penetrou no bloco, deixando visível que a estrutura de alvenaria não suportaria disparo nem de revolver calibre 22. O síndico ficou pasmo e disse:

“ Nossa, Lordello, a portaria não é blindada ”.

Em seguida, mostrei outros problemas na construção da suposta portaria blindada:

  • A porta é de aço balístico, mas a fechadura instalada é de porta de madeira frágil;
  • O batente não foi feito de aço balístico e sim de madeira;
  • A porta blindada não tem as chamadas garras, que penetram no batente e resistem a arrombamento;
  • A janela do banheiro acoplado na guarita, de vidro e alumínio, permite a passagem de uma pessoa magra;
  • Os vidros blindados foram instalados direto na alvenaria, sem a devida proteção de caixilho de aço balístico;
  • O passa volumes instalado na lateral da portaria foi feito de chapa de latão e não de aço balístico. Para piorar, quando o dispositivo é destravado, facilmente é possível penetrar com o braço segurando uma arma de fogo e intimidar o porteiro a abrir a porta.

Quando o amigo síndico tomou ciência de todas as falhas, ficou indignado e disse que iria cobrar da construtora todos os ajustes. Na verdade, para aquele ambiente ser classificado como totalmente blindado, terá que ser todo refeito, e de forma profissional.

Restou claro, que quem construiu pouco entende de material balístico e da devida forma de instalação.

Portanto, fica o alerta para quem reside em prédio com guarita blindada.

Será que seu porteiro está realmente protegido em um ambiente balístico ou venderam gato por lebre?

 

JORGE LORDELLO

 


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