Bandidos virtuais estão clonando whatsapp para aplicar golpes e acessar dados privados

SAIBA COMO IDENTIFICAR A CLONAGEM E COMO SE PROTEGER DESSA NOVA ARMADILHA Os crimes virtuais praticados via celular tiveram início em 2001, na cidade de Campos, Estado do Rio de Janeiro, no interior da Penitenciária Carlos Tinoco da Fonseca, onde alguns detentos, com acesso a...

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SAIBA COMO IDENTIFICAR A CLONAGEM E COMO SE PROTEGER DESSA NOVA ARMADILHA

Os crimes virtuais praticados via celular tiveram início em 2001, na cidade de Campos, Estado do Rio de Janeiro, no interior da Penitenciária Carlos Tinoco da Fonseca, onde alguns detentos, com acesso a telefones celulares, criaram os primeiros golpes, que apelidei de “telemarketing do crime”, com objetivo de adquirir créditos para telefones celulares pré-pagos e assim manter contatos com advogados, familiares e criminosos de outras unidades prisionais. As artimanhas empregadas passaram a render bons dividendos e o modus operandi se alastrou pelos presídios cariocas e depois para boa parte do sistema prisional brasileiro.

Com o passar do tempo, o sucesso das ligações criminosas perdeu potencialidade, pois a mídia divulgou fartamente a sistemática do golpe e as pessoas ficaram mais atentas e prevenidas. Dessa forma, a bandidagem percebeu que havia necessidade de mudar a roupagem das arapucas via smartphone para manter o efeito surpresa.

17 anos se passaram desde a primeira ligação de dentro das cadeias. Eu poderia escrever um livro com mais de 200 páginas relatando as centenas de roteiros que os marginais criaram. A maioria deles calcados em ameaças de matar parentes de suas vítimas, supostamente sequestrados ou em algum tipo de história mirabolante, galgada em prêmios ou alguma vantagem, mas que sempre têm como único objetivo extrair o dinheiro suado de milhões de pessoas honestas e trabalhadoras.

O intuito deste artigo é alertar os leitores quanto a uma nova modalidade de golpe. Trata-se de um dos mais engenhosos do “telemarketing do crime” e pode ser praticado tanto por bandidos encarcerados como por jovens com índole criminosa e habilidade no setor de tecnologia da informação.

A marginalidade que pratica o chamado delito à distância, descobriu que para aumentar as chances de enganar vítimas através de ligações telefônicas ou mensagens via internet, é preciso obter detalhes específicos de uma determinada família. Com isso, a pessoa que recebe a ligação criminosa se impressiona com as informações sobre seus parentes e as chances de acreditar que existe crime em andamento envolvendo alguém bem próximo são maiores.

A bola da vez é a utilização do aplicativo mais usado no mundo: o “WhatsApp”.

Portanto, todo o cuidado é pouco com essa ferramenta digital pela qual os brasileiros são apaixonados; podemos dizer que muitos de nós são até viciados em seu uso.

Os estelionatários que usam como arma o smartphone descobriram algumas formas de “clonar” o WhatsApp das vítimas escolhidas. Tenho certeza que o leitor deve estar preocupado com essa informação e desejando me fazer a seguinte pergunta:

“Mas Lordello, é possível que alguém tenha acesso ao conteúdo do meu celular de forma remota?”

Infelizmente, a resposta é “sim”.

Observe o relato de uma vítima que recentemente me enviou e-mail narrando o drama que viveu:

“Doutor Segurança, preciso muito da sua ajuda para entender o que aconteceu comigo. Ontem recebi telefonema via “WhatsApp” da minha filha que estava na universidade. Para minha surpresa, a voz do outro lado não era da minha menina e sim de um homem com voz rouca noticiando um sequestro. Imediatamente entrei em pânico. Ele disse que sua gangue praticara um sequestro relâmpago com minha filha, mas ao verificarem que a família tinha posses desejavam também uma quantia para soltarem-na com vida. Fiquei apavorada, pedi para falar com ela mas não deixaram. Ao fundo ouvi uma voz feminina gritando “mãe me ajuda”. Acreditei que realmente fosse minha filha mais velha. A ordem era para eu não desligar o telefone, não compartilhar com ninguém sobre o sequestro e ir imediatamente ao banco sacar R$ 20 mil. Como era 17h e os bancos estavam fechados, argumentei que poderia ir ao caixa eletrônico sacar a quantia de R$ 5 mil, que seria o limite para aquele horário. Imediatamnte ordenaram que eu fosse sacar tal quantia mas que continuasse a falar ao celular. Retirei o valor do caixa eletrônico e passei o endereço de uma esquina bem próxima. O marginal ficou conversando comigo o tempo todo. Após cerca de 30 minutos surgiu um motoqueiro usando capacete que solicitou o dinheiro. Depois que entreguei, ele disse que minha filha seria libertada em seguida. Quando ele virou a rua desligaram. Ato contínuo, liguei para minha filha, ela atendeu e disse que não podia falar muito pois estava em sala de aula. Somente então percebi que tinha sido vítima de um golpe. Minha dúvida é a seguinte Lordello: como o criminoso conseguiu usar o WhatsApp da minha filha se o celular não saiu das mãos dela? “

Da mesma maneira como um técnico de informática consegue acessar o seu computador de mesa ou notebook à distância e ter acesso a todo conteúdo para poder consertá-lo de forma remota, os bandidos descobriram truques digitais para “clonar” WhatsApp de futuras vítimas.

A estratégia criminosa é eficiente;

Ao descobrirem o caminho para clonar o Aplicativo conhecido popularmente como Zap, os bandidos virtuais passaram a ter acesso a todas as pessoas cadastradas e também às conversas trocadas. Com isso, ficou fácil descobrir, por exemplo, quem é o filho, mãe, marido, tio, avó e etc daquela linha que foi invadida.

Através dessa gama de informações e tendo como arma o Zap clonado de alguém, resta apenas entrar em contato com um familiar próximo e tentar a sorte com alguma narrativa baseada na ameaça de um sequestro ou da necessidade de depósito de certa quantia em dinheiro em razão de uma necessidade extrema, tal como acidente de trânsito, despesas com hospital ou mecânico.

Veja algumas das manchetes recentes que localizei:

“Deputados do PT têm celulares clonados e contatos recebem pedido de dinheiro e “outros favores”

Fonte: Uol

“Deputado tem conta de WhatsApp clonada e criminosos pedem dinheiro em seu nome”

Fonte: DM

Criminosos usam celulares clonados para invadir contas bancárias

Fonte: Canaltech

“É golpe! Onda de clonagem de celulares assusta políticos do Paraná

Suspeita é de que criminosos estejam usando as agendas dos aparelhos para escolher as novas vítimas; preocupação é com a possibilidade de exposição de informações privadas”

Fonte: Gazeta do Povo – Paraná

Pessoas ciumentas ou desconfiadas de traição também estão aprendendo a técnica para clonagem de WhatsApp visando fuçar a vida de quem estão se relacionamento afetivamente.

Uma coisa é certa: é real a possibilidade de clonagem do aplicativo WhatsApp em duas situações:

1) Utilizando de maneira sorrateira o celular de quem deseja espelhar o conteúdo

2) A notícia ruim, é que sem a necessidade de tocar no seu smartphone, existe maneira de realizar a clonagem do seu Zap, ou seja, um estranho, tendo apenas o número do seu smartphone, terá chance de replicar as mensagens enviadas e recebidas.

Por motivos óbvios, não vou ensinar neste artigo como é realizado o processo de clonagem. A finalidade é mostrar como se proteger dessa invasão de privacidade criminosa.

Os marginais que atuam no “telemarketing do crime” e que aprenderam clonar conteúdo de celular, durante o processo de invasão emitem SMS para o celular do alvo com um código. Com essa sequência numérica imediatamente clonam o Zap da próxima vítima.

Mas como o criminoso vai conseguir o código de verificação que somente a vítima recebeu?

Uma das estratégias é telefonar para o alvo fazendo se passar por funcionário do Banco ou de operadora de cartões de crédito e, mediante alguma desculpa elaborada, solicitar que seja informado o código verificador. A pessoa que acreditar nessa artimanha estará dando de bandeja a possibilidade concreta do seu aplicativo WhatsApp ser espelhado por bandidos.

É possível descobrir se meu “Zap” foi clonado?

Sim, a clonagem promove algumas alterações no funcionamento do aplicativo no seu smartphone.

Portanto, vamos a algumas dicas:

1) A pista mais latente é se alguma mensagem recebida foi sinalizada como vista sem que você tenha acessado ou um áudio que você não ouviu mas já está como se tivesse. Não poderia deixar de dizer que esses acontecimentos podem, às vezes, serem causados por falha no próprio aplicativo, mas, se ocorrerem repetidamente, pode ser sinal que alguém clonou sua conta do WhatsApp.

2) O aplicativo WhatsApp não pode ser utilizado, em tese, em mais de um telefone ao mesmo tempo. Se porventura você entrou no WhatsApp e recebeu aviso que seu número está sendo usado em outro lugar, provavelmente alguém teve acesso e autenticou sua conta em outro dispositivo, configurando, assim, a clonagem. O aviso que poderá ser enviado a você é este: “Não foi possível verificar este telefone. Provavelmente, porque você registrou seu número de telefone no WhatsApp em outro aparelho”.

Mas o que devo fazer se desconfiar que meu WhatsApp foi clonado?

É bastante simples: desinstale o Zap do smartphone e reinstale em seguida. Com isso, o mensageiro vai pedir seu código de verificação e enviar o SMS para verificar o aparelho. Pode ser uma forma de anular a ação de terceiros em outros aparelhos. Para isso, acesse o menu de “Configurações” do Android e toque em “Gerenciador de aplicações”.

Tenho absoluta certeza que o leitor está preocupado com as informações que acabei de passar e desejando me fazer a seguinte pergunta:

“Lordello, é possível impedir que meu Zap seja clonado?”

A boa notícia é que sim, e para tanto, é preciso que o leitor tome algumas medidas de ordem preventiva.

1) Jamais repasse a terceiros código de verificação recebido em seu celular, principalmente via SMS. Se outras pessoas tiverem acesso, os dados do celular poderão ficar vulneráveis e expostos nas mãos de bandidos ou desafeto. Portanto, se realizar alguma operação com o celular e receber código de verificação, após utilizá-lo, delete-o imediatamente. O mesmo deve ser feito se entrar em sua caixa de mensagens código de verificação sem ter solicitado. Apague-o o mais rápido possível, excluindo também a lixeira.

2) O WhatsApp permite que o usuário tenha senha “extra” para ativar o aplicativo, que será somente solicitada no caso de reinstalação ou esporadicamente para garantir privacidade. Para ativar esse recurso de segurança e impedir que clonem seu Zap, siga os seguintes passos:

  1. a) Com o aplicativo aberto, pressione no canto superior direito o ícone “três pontinhos”
  2. b) Em seguida, selecione “configurações”
  3. c) Depois toque em “conta” e em seguida no ícone “verificação em duas etapas”
  4. d) Agora chegou a hora de clicar em Pressione no botão de “ativar”
  5. e) O próximo passo é adicionar código(senha) pessoal com seis dígitos e depois digitar novamente para confirmar. Toque em “avançar” em cada etapa.
  6. f) O usuário poderá ainda adicionar e-mail pessoal para recuperação do acesso como mais uma barreira de segurança e, ao final, clique em “concluído”
  7. g) Dica Importante: cuidado na hora de ativar a função de  “verificação em duas etapas”. Se cometer algum erro poderá perder sua conta do Zap e todas as mensagens que não tiverem backup. Anote sua senha e e-mail que registrar, pois se esquecer terá problemas para recuperar o funcionamento do aplicativo
  8. h) Reverificação: após verificar a sua conta, ela não poderá ser reverificada novamente no período de 7 dias. Tome cuidado para não resetar ou apagar o app neste período
  9. i) Para verificar se alguém está acessando a sua conta do WhatsApp pelo navegador de internet usando outro aparelho, siga os seguintes passos:

1 – Abra o WhatsApp e toque no ícone “três pontinhos”, no canto superior direito

2 – Clique na opção WhatsApp Web

3 – Acione agora a opção “Sair de todos os computadores”.

Acredito que este artigo demonstrou o quanto somos vulneráveis no ambiente digital. Portanto, para finalizar, gostaria de deixar mais uma dica de segurança para os usuários do WhatsApp.

Dados importantes tais como senhas de contas bancárias ou informações financeiras familiares devem ser apagadas do aplicativo, assim como fotos sensuais que possam identificar o(a) usuário(a) ou parceiro(a) afetivo(a).

Para apagar seu histórico, basta clicar no menu indicado por “três pontos” no canto superior direito da tela do WhatsApp. Pressione o ícone “Mais” e depois em “Limpar conversa”.

Essa ação impede que bandidos virtuais tenham acesso às suas informações privilegiadas.


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