CONDOMÍNIOS: PORTARIA DEVE CADASTRAR VISITANTE AUTORIZADO A ENTRAR PELO MORADOR?

Uma das infindáveis discussões em assembleias de condomínios é se o visitante autorizado pelo morador deve ou não ser cadastrado na portaria. Qual sua opinião? O visitante deve fornecer documento público com foto ao porteiro para as devidas anotações ou ser liberado sem nenhum tipo...

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Uma das infindáveis discussões em assembleias de condomínios é se o visitante autorizado pelo morador deve ou não ser cadastrado na portaria.

Qual sua opinião? O visitante deve fornecer documento público com foto ao porteiro para as devidas anotações ou ser liberado sem nenhum tipo de registro?

Já ministrei inúmeras palestras sobre conscientização de segurança para moradores de condomínios. Nesses eventos, sempre digo que é preciso acabar com o amadorismo em edifícios e controlar o acesso de pessoas com segurança. Portanto, recomendo que visitantes sejam cadastrados na guarita. Na verdade, o registro com anotação de nome completo e número de RG só acontece na primeira vez, nas demais, o porteiro faz a seguinte pergunta:

“ O senhor já foi cadastrado pela portaria? ”

Se a resposta for afirmativa, solicita os dados pelo interfone, confere no programa específico de entrada de pessoas no computador, anota nome do morador que autorizou, respectivo apartamento e horário de entrada e rapidamente libera a entrada do visitante. Veja que não há mais necessidade de o visitante apresentar documento, toda a triagem é feita através do interfone. Assim, a administração do prédio terá sempre à disposição registros completos de entrada e saída de pessoas.

Apesar de todas essas explicações, muitos condôminos votam contra o cadastro de visitantes na portaria, pois acham invasivo. Dessa forma, impedem que a administração tenha referência dos visitantes que estiveram no edifício autorizados pelo morador ou empregado doméstico.

Acompanhe atentamente crime bárbaro que aconteceu recentemente em prédio no bairro de Moema/SP.

Era madrugada do dia 10/11/2017 quando o morador de nome Luiz Felipe Bonetti, de 41 anos, entrou a pé no condomínio onde morava. Estava acompanhado de outro homem. O porteiro não solicitou documento do visitante; o edifício não adota essa estratégia. Após cerca de 1 hora, o visitante deixou o prédio, sendo que alguns vizinhos chegaram a reclamar de barulho oriundo do apartamento de Luiz Felipe.

Horas depois, um funcionário do edifício informou à polícia ter estranhado o fato de a porta do apartamento de Bonetti estar aberta e entrou. Lá, encontrou manchas de sangue espalhadas pela sala e móveis revirados. A cena apontava que ocorrera luta corporal entre as partes. O morador foi assassinado devido a fortes pancadas na cabeça. Até a data da publicação deste artigo, a polícia ainda não tinha identificado o autor do homicídio.

Será que esse crime teria acontecido se o porteiro tivesse realizado triagem completa com o visitante através de apresentação de documento público com foto?

É claro que não podemos prever, mas entendo que a triagem de visitantes através de documento pode gerar fator inibitório e assim minimizar riscos de crimes e desavenças.

Oriento administradores e síndicos de condomínios horizontais e verticais a fazerem esforço para implantar gestão profissional. Não podem cair na retórica de alguns moradores que enxergam a portaria como extensão de seus lares, o que não é verdade. Não acho seguro permitir que pessoas não identificadas entrem e saiam à vontade. Não podemos esquecer que o condomínio agrega muitas famílias e crianças e que o visitante, ao ter a entrada liberada, passará a ter acesso total e irrestrito às áreas comuns.

Quando nos dirigimos a uma delegacia de polícia, agência bancária, hospital ou qualquer órgão público ou particular, a primeira frase que ouvimos da recepção é a seguinte:

“ Por favor, preciso do seu RG ou CNH ”.

JORGE LORDELLO

 


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