EFEITO ESPANTALHO

VIGILANTE NA FRENTE DO PRÉDIO GERA A SEGURANÇA ESPERADA POR SÍNDICOS E MORADORES? Em 1994 a prefeitura da cidade de São Paulo instalou algumas cabines nas marginais Tietê e Pinheiros. No interior desses cubículos de plástico foram inseridos bonecos masculinos vestidos com roupas de “marronzinho”, usadas...

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VIGILANTE NA FRENTE DO PRÉDIO GERA A SEGURANÇA ESPERADA POR SÍNDICOS E MORADORES?

Em 1994 a prefeitura da cidade de São Paulo instalou algumas cabines nas marginais Tietê e Pinheiros. No interior desses cubículos de plástico foram inseridos bonecos masculinos vestidos com roupas de “marronzinho”, usadas pelos fiscais da CET(Companhia de Engenharia de Tráfego). O intuito era fazer com que motoristas respeitassem as leis de trânsito e com isso houvesse diminuição de acidentes.

Os bonecos foram apelidados de “ Ricardão ” e tinham como função criar o chamado “ efeito espantalho ”. Naquela oportunidade, Roberto Scaringella, então diretor do Instituto Nacional de Segurança no Trânsito, fez a seguinte afirmação:

“ Se o motorista tiver certeza de que há um boneco na cabine, é melhor não ter nem boneco, nem cabine. Sai mais barato. Essa certeza acaba com o conceito “.

Na mesma linha de raciocínio, alguns síndicos contratam vigilantes desarmados ou controladores de acesso para ficar embaixo de ombrelones (guarda-chuva fixo) instalados na frente dos condomínios.

Mas qual seria a intenção desse investimento, que pode variar de R$ 20 a R$ 30 mil reais mensais para os condôminos?

Conversei com alguns administradores que adotaram essa estratégia de segurança. Disseram acreditar que o funcionário postado na calçada funciona como “ efeito espantalho ”.

O “ espantalho ” é uma cultura que remonta ao Brasil colonial. Trata-se de um boneco confeccionado com roupas velhas e chapéu, podendo ou não ser recheado com trapos, palha, estopa, palha e capim. Seu uso tinha como função afugentar aves e bichinhos invasores que atacam as plantações. Com o tempo, descobriu-se que sua eficácia era duvidosa, pois as aves acabam se habituando com o artefato. Hoje em dia, é mais fácil encontrar o espantalho figurando em histórias, fábulas e contos de fadas.

Voltando à segurança predial, será que um homem usando terno preto, postado embaixo de grande guarda-chuva e segurando rádio transmissor é capaz de inibir assalto? Qual sua opinião?

Circulou pelas redes sociais, no início de nov/2017, imagens de câmera de segurança de um prédio localizado no bairro de Higienópolis, bem próximo do Shopping dessa região. A cena é basicamente a seguinte: controlador de acesso estava na calçada do edifício, embaixo do ombrelone, quando dois homens idosos saem pela portaria social. Eles ficam batendo papo de forma descontraída, bem ao lado do funcionário. De repente, surgem dois jovens assaltantes armados e anunciam assalto contra os moradores. O curioso, é que os bandidos não deram a mínima bola para o vigilante. É como se ele não estivesse lá trabalhando. Ficou nítido, através das imagens, que os marginais queriam os pertences dos dois moradores.

O segurança desarmado ficou perplexo com a cena e numa decisão acertada não interveio na ação criminosa. Sua reação foi dar passos para trás de forma vagarosa, tentando ficar afastado do roubo à mão armada. Essas imagens estão postadas no meu perfil no Instagram @jorgelordellooficial.

Síndicos que contratam esse tipo de serviço acreditam que o segurança desarmado na calçada pode funcionar como “ efeito espantalho ”. Será que isso é possível?

Na verdade, alguns moradores insistem nesse tipo de contratação 24h por causa da “ sensação de segurança ” que acabam absorvendo. O problema é que “sensação” é bem diferente de “ segurança efetiva ”.

JORGE LORDELLO


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