FORÇAS ARMADAS CHEGAM AO RIO DE JANEIRO!

DAQUI A 6 MESES OS ÍNDICES CRIMINAIS VÃO DIMINUIR, MANTER O MESMO NÍVEL OU AUMENTAR? Em 2017, o Rio de Janeiro sofre sua pior crise na segurança pública. Nos primeiros 7 meses do ano o número de policiais mortos suplantou os 12 meses de 2016....

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DAQUI A 6 MESES OS ÍNDICES CRIMINAIS VÃO DIMINUIR, MANTER O MESMO NÍVEL OU AUMENTAR?

Em 2017, o Rio de Janeiro sofre sua pior crise na segurança pública.

Nos primeiros 7 meses do ano o número de policiais mortos suplantou os 12 meses de 2016.

Bala perdida virou rotina, chegando ao cúmulo de atingir um bebê na barriga da gestante, deixando-o sem os movimentos do corpo.

Transportadoras ameaçam parar se roubos de cargas na cidade, que já não é mais tão maravilhosa, não forem contidos. Em virtude dessa situação catastrófica, muitos produtos estão chegando nas prateleiras do comércio carioca 20% mais caros. Tamanho é o absurdo, que carne chega a ser transportada em carro forte frigorificado.

Policiais com salários atrasados e desmotivados.

Falta de recursos para as Unidades de Polícia Pacificadora, que agora se preocupam mais com a segurança dos policiais que ali trabalham do que com a pacificação da comunidade.

No meio desse cenário tenebroso, prefeito e governador do Rio pedem auxílio ao governo federal.

E qual foi a solução encontrada?

Publicação no Diário Oficial da União de um Decreto de Garantia e da Ordem.

Pasmem, pois não é piada pronta!

Como se uma simples folha de papel A4, com algumas linhas subscritas e alguns carimbos imponentes, pudesse, de fato, garantir ao carioca a tão sonhada segurança de percorrer as ruas de sua cidade sem correr o risco de ser assaltado ou atingido por um projétil emanado de um fuzil calibre 7.62.

O tal decreto promete disponibilizar 8.500 homens das forças armadas para cumprir essa árdua missão.

O Ministro da Defesa diz que “as  forças armadas vão atuar sob demanda”.

Para bom entendedor, pingo é letra, já dizia o inteligente jargão popular.

A tradução é mais ou menos assim: aonde ocorrer um conflito se aciona a tropa para amainar a situação. A demanda será grande, pois a média de tiroteios é de 15 a 20 por dia.

No primeiro dia de atuação das Forças Armadas, foi possível ver alguns tanques de guerra circulando pelas avenidas fluminenses enquanto motoristas que passavam batiam palmas e pedestres promoviam selfies.

“ Para quem não tem nada, a metade é o dobro ”, já dizia o pensador.

Mas tem uma pergunta que não quer calar: o Decreto de Garantia e da Ordem, na prática, vai garantir segurança ou sensação de segurança?

A resposta é cirúrgica e matemática quando comparado com a segurança efetivada nos Jogos Olímpicos.

O mega evento decorreu no período de 3 a 21 de agosto de 2016.

Para garantir a segurança das delegações de todo o mundo e dos milhares de turistas, foi disponibilizado o seguinte:

  • 85.000 homens das forças armadas, ou seja, número 10 vezes maior que o efetivo prometido atualmente
  • 4.500 policiais federais, sendo que o efetivo do Rio de Janeiro em tempos normais é de 700 agentes e delegados.
  • 252 milhões de reais foram gastos com segurança privada. O Ministério da Justiça confirmou na época que os Jogos Olímpicos de 2016 tiveram uma segurança compartilhada: 41% pública e 59% privada.
  • 3000 profissionais da Força Nacional, sendo que para a Garantia da Ordem neste dramático momento temos 620 agentes.
  • 3250 policiais rodoviários federais, contra 720 atualmente.

O leitor deve estar curioso para saber como se comportaram os índices criminais durante a realização dos Jogos Olímpicos que aconteceram no Rio de Janeiro.

Mesmo com todo esse aparato policial e de segurança privada elencados, sem contar policiais estrangeiros que acompanharam todos as delegações, os índices criminais cariocas aumentaram, quando comparados com o mesmo período de 2015.

Em relação aos roubos em ônibus, o crescimento foi de 91,7%.

Aumento de 68,1% em roubos de rua, que incluem furtos a celulares e assaltos a pedestres, além de roubos em coletivos.

Já os roubos de veículos aumentaram 15%.

Analisando a comparação que fiz acima, dos reforços em segurança prometidos pelas autoridades para debelar a crise atual com o esquema de segurança aplicado nos jogos olímpicos que ocorreram ano passado, o leitor poderá concluir se o morador do Rio de Janeiro terá nos próximos meses segurança efetiva ou apenas sensação de segurança.

Daqui a 6 meses os índices criminais no Rio de Janeiro vão diminuir, manter o mesmo nível ou aumentar? Ninguém tem essa resposta ainda. É preciso aguardar para mensurar os resultados.

Não seria mais viável repassar o dinheiro que o Governo Federal vai ter que gastar para manter as forças públicas federais, para o governo estadual reaparelhar e manter em dia os salários dos policiais civis e militares?

JORGE LORDELLO

 


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