LORDELLO EXPLICA OS PROBLEMAS QUE O SÍNDICO PODERÁ TER AO CRIAR GRUPO NO WHATSAPP COM MORADORES PARA DISCUSSÃO DE TEMAS CORRIQUEIROS

Quando o APP WhatsApp introduziu a ferramenta “grupo”, onde várias pessoas podem se juntar para comunicação instantânea pelo celular e assim dividir assuntos do mesmo interesse, vários síndicos incentivaram o engajamento dos moradores. Administradores de condomínios acreditavam que essa interação entre condôminos pudesse ser profícua....

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Quando o APP WhatsApp introduziu a ferramenta “grupo”, onde várias pessoas podem se juntar para comunicação instantânea pelo celular e assim dividir assuntos do mesmo interesse, vários síndicos incentivaram o engajamento dos moradores.

Administradores de condomínios acreditavam que essa interação entre condôminos pudesse ser profícua.

E quais foram os resultados apresentados?

Pesquisando sobre esse polêmico assunto, identifiquei uma série de distorções e problemas que passo a enumerar:

  • Ânimos dos componentes do grupo podem se exaltar ainda mais que em Assembleias
  • Assuntos são lançados com pouco aprofundamento
  • Fofocas, picuinhas e ressentimentos se tornam presentes
  • Brigas e discussões homéricas, sendo que em alguns casos os ofendidos registraram Boletim de Ocorrência na delegacia do bairro
  • Enxurrada de reclamações sem apresentação de dados específicos
  • Criticas desnecessárias e com linguagem agressiva
  • Festival de achismos e opinismos, onde moradores fazem sugestões das mais variadas, mas, na maioria das vezes, de cunho pessoal

Mas por que o resultado do compartilhamento de informações pelo celular não apresentou bons resultados?

Não podemos misturar alhos com bugalhos

Não é possível administrar um condomínio socializando debates e informações.

Imagine se o gerente de uma empresa de 100 funcionários tiver que ouvir a opinião de todos para tomar uma decisão. É claro que não iria funcionar e a administração se tornaria inoperante. Ou seja, muita discussão e pouca resolução.

Síndicos devem incentivar que moradores colaborem com ideias e apontem eventuais falhas e problemas no prédio, mas entendo que deve ser feito de forma privada e sistematizada, não como se fosse um “big brother”.

Por outro lado, o grupo de WhatsApp parece funcionar bem entre os conselheiros de um determinado assunto. Na área de segurança tenho percebido que essa interação é positiva por vários motivos:

  • Geralmente, o grupo responsável por estudar e analisar o tema segurança patrimonial só tem a participação do síndico e de dois ou três conselheiros.
  • Os envolvidos são afetos ao tema e assim as discussões são de alto nível, buscando sempre a melhor solução para aumentar o nível de segurança do edifício.
  • As respostas e cobranças são mais rápidas do que por e-mail, telefone ou encontros no salão de festas do condomínio.
  • Agilidade na troca de informações e envio de estudos, propostas, artigos e orçamentos.
  • Fornecedores da área de produtos e serviços de segurança podem ser incluídos no grupo. Assim, síndico e conselheiros podem cobrar de forma rápida algum tipo de conserto, manutenção ou instrução de trabalho.

Portanto, cabe um alerta aos síndicos quanto ao risco da criação de grupo de WhatsApp com dezenas ou centenas de moradores; o “feitiço poderá voltar contra o feiticeiro”.

Imagine ter que vivenciar diariamente no ambiente virtual os mesmos desgastes emocionais que geralmente ocorrem em Assembleias Gerais?

 

                                                                               JORGE LORDELLO

 

 

 


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