POR QUE BANDIDOS ENTRAM COM TANTA FACILIDADE PELA GARAGEM DE PRÉDIOS E NINGUÉM VÊ?

Mais um condomínio sofreu arrastão em São Paulo!!! Foi em um sábado, no final de nov/2017, no bairro do Morumbi. Aprender com erros e experiências negativas alheias é um bom caminho para minimizar riscos frente a violência urbana. Como aconteceu a invasão no prédio? Bandidos armados...

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Mais um condomínio sofreu arrastão em São Paulo!!! Foi em um sábado, no final de nov/2017, no bairro do Morumbi. Aprender com erros e experiências negativas alheias é um bom caminho para minimizar riscos frente a violência urbana.

Como aconteceu a invasão no prédio?

Bandidos armados entraram pela garagem do edifício e dirigiram-se até a guarita, onde facilmente o porteiro foi rendido.

” Eles me fizeram sentar na guarita e disseram para eu agir normalmente. Para abrir o portão e cumprimentar os moradores “

Os bandidos usavam boné e óculos escuros.

Sem imaginar que o condomínio estivesse sendo assaltado, os moradores entravam e eram rendidos no hall.

” Subiam com eles e roubavam seus pertences “, contou o porteiro na delegacia.

Uma das moradoras narrou à imprensa que estava em seu apartamento no momento do assalto e não notou nada anormal.

” Não ouvi nada; não houve tiros e nem barulho “.

A conclusão é que os marginais agiram em silêncio, sendo que somente os moradores rendidos quando chegavam a pé ou de carro é que tiveram seus apartamentos invadidos.

A ação do bando organizado durou aproximadamente três horas.

” Fiquei com medo de morrer. Eles me diziam que iam me dar um presente de Natal muito bom. O meu maior presente na vida foi quando eles foram embora e me deixaram vivo, sem machucar e atirar em ninguém “, disse o funcionário da portaria, que ficou horas rendido pelo marginais, sendo obrigado a fornecer todas as informações sobre os moradores, além de operar a guarita sob comando dos bandidos.

O leitor deve estar curioso para me fazer a seguinte pergunta:

“ Mas Lordello, como os criminosos conseguiram ingressar na garagem sem ninguém perceber? ”

Várias são as possibilidades e passo a expô-las :

1) Edifício com apenas um portão de entrada para a garagem e sem formação de clausura pode ser a explicação. O condutor entra com o veículo e raramente tem preocupação de verificar pelos espelhos retrovisores se algum suspeito adentrou no interior da garagem a pé ou mesmo com carro como “ carona ”;

2) Portões demasiadamente lentos facilitam a entrada sub-reptícia de marginais a pé. Recentemente, ministrei palestra em um prédio onde o portão demorava cerca de 16 segundos para abrir ou fechar completamente. Nesse caso, há tempo suficiente para o marginal esperar o veículo de morador entrar para em seguida correr rapidamente para o interior da garagem, sendo certo que a primeira pessoa a ser rendida será o condômino que acabou de estacionar o veículo na vaga;

3) Mesmo com câmeras de segurança instaladas em locais apropriados na entrada da garagem, dificilmente porteiro atenta às imagens do monitor de vídeo; geralmente está mal posicionado além de ter outros afazeres no mesmo momento. Pode estar atendendo alguém que se apresentou na portaria de pedestres, por exemplo;

4) Edifícios com dois portões na entrada da garagem, formando a chamada clausura, também já foram invadidos por algumas razões:

  1. Não adianta criar a clausura para veículo se os portões abrem simultaneamente. Dessa forma, nada impede que uma pessoa ingresse sorrateiramente a pé.
  2. Outro fato que fragiliza a segurança da entrada pela garagem, é quando a clausura é extensa demais, cabendo mais que um carro. Assim, o morador ingressa na “gaiola” mas acaba deixando espaço para que veículo suspeito também adentre e assim possa ter acesso ao interior da garagem com facilidade.

Síndicos e moradores podem estar formulando a seguinte dúvida:

Mas como o porteiro não consegue ver alguém entrando correndo pela entrada da garagem?

Minha experiência como especialista em segurança e pesquisador criminal, diz que essa atenção toda que desejamos que o porteiro tenha depende de uma série de fatores:

1) Estruturais.

2) Equipamentos de segurança.

3) Treinamento e Capacitação do colaborador que trabalha em portarias.

É de se frisar, que muitos prédios possuem a entrada da garagem que não pode ser visualizada pelo porteiro através dos vidros da guarita, isso em razão do mal posicionamento.

Outro ponto a ser discutido, são câmeras de segurança instaladas em posicionamento errado, não trazendo ângulo ideal para que o porteiro possa observar as imagens.

Não podemos deixar de mencionar sobre a qualidade da imagens geradas pelas câmeras de segurança no monitor disposto no interior da portaria. Ruins, opacas e sem nitidez, o que desestimula a atenção do observador.

Durante as palestras que ministro capacitando porteiros e vigilantes de condomínios, chamo a atenção desses profissionais para a tendência errática de não se manterem atentos para a entrada e saída de veículos quando são isentos de acionar portões da garagem, isso nos casos em que os próprios moradores o fazem. Entendem que a responsabilidade pela situação é do condutor do carro e não deles. O leitor pode estar pensando:

Mas Lordello, isso é um absurdo, o porteiro recebe para vigiar todo o edifício”.

Mas na prática isso não é bem assim, por isso quero aprofundar esse assunto.

Se o porteiro aciona apenas o portão de acesso de pedestres, é natural que passe a se preocupar muito mais com essa entrada. Não podemos esquecer que a portaria também atende os moradores através do interfone, e  para tanto, a todo momento é acionado. Outro ponto a ser observado, é o posicionamento inadequado do monitor de vídeo instalado no interior da guarita, dificultando uma boa visualização. Na verdade, o monitor costuma ser instalado no espaço que sobra, pois geralmente as portarias são diminutas. Estudos demonstram que quando porteiros também acionam portão da garagem, no caso de clausuras, ficando a seu cargo pelo menos um deles, sua atenção será maior, mas devido aos fatores acima elencados, nem sempre terá a atenção ideal.

CONCLUSÃO

A entrada pela garagem é um dos caminhos prediletos dos marginais para iniciar o arrastão. Portanto, o condomínio precisa acertar uma série de detalhes importantíssimos para minimizar quase a zero o risco de invasão por esse local. Diante do exposto, passo a enumerar os pontos a serem estudados, analisados e concretizados:

  • Estabelecer a estratégia dos dois portões para formatar a clausura de autos
  • Instalar os 2 portões no local correto, não permitindo que a clausura receba mais de um carro.
  • Ter o chamado “inter travamento”, ou seja, enquanto um portão estiver aberto o outro não poderá ser acionado, permanecendo travado até o fechamento completo do outro.
  • Instalação de câmeras em locais apropriados para capturar imagens dos carros que entram e saem do condomínio.
  • Em relação à entrada de autos, é importante que uma câmera consiga capturar com nitidez a imagem da placa do auto, principalmente para caso de veículo de visitante autorizado a ingressar na garagem.
  • Controle remoto que não permita clonagem.
  • Sinalização de pânico é deveras importante para o morador poder avisar, silenciosamente, o porteiro na guarita, se porventura estiver rendido no carro por bandidos.
  • Encontrar a melhor posição para instalar o monitor no interior da guarita, facilitando para o colaborador melhor visualização das imagens.
  • Outro ponto de suma importância, é a qualidade das imagens no monitor. Se a imagem for ruim, embaçada ou trêmula, estudos demonstram que ocorre desinteresse natural do porteiro em olhar para o monitor.

JORGE LORDELLO

 


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