QUEM SOFRE MAIS COM A SEPARAÇÃO LITIGIOSA, OS PAIS QUE BRIGAM OU O FILHO?

Casar e ter filhos é um projeto de vida. Metas são estabelecidas entre as partes envolvidas. Amor, companheirismo, carinho, cumplicidade e satisfação sexual, além de projetar no filho que tiverem tudo o que acreditam ser de melhor neste mundo; em todos os sentidos. Até aí não é novidade para...

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Casar e ter filhos é um projeto de vida. Metas são estabelecidas entre as partes envolvidas. Amor, companheirismo, carinho, cumplicidade e satisfação sexual, além de projetar no filho que tiverem tudo o que acreditam ser de melhor neste mundo; em todos os sentidos.

Até aí não é novidade para ninguém!

O problema surge se acontecer uma separação. Não importa o motivo, pode ser traição, falta de dinheiro, fim da paixão ou do amor. Se o resultado da união fracassada gerou um filho, é necessário muito cuidado e sensibilidade para administrar, de forma menos traumática possível, a situação.

Relacionamentos sem filhos que findam, apresentam solução bem mais fácil, pois a única discussão envolvida é quanto aos bens materiais. Se o processo de separação for litigioso, regado a brigas, ofensas, discussões e até trapaças, somente o casal sofre com isso, e ponto final.

Diz o velho jargão popular, que “quem está na chuva é pra se molhar”. Se não houver racionalidade e sabedoria entre aqueles que se gostavam e depois transformaram esse sentimento em ódio ou raiva, o sofrimento será recíproco e cada um vai assumir suas responsabilidades e dores.

Mas a “porca torce o rabo” quando além dos bens a serem divididos, restar uma pequena criança, que jamais poderá ser separada ao meio.

O americano Billy Flynn passou por essa experiência. Ao se separar da esposa, focou sua preocupação nos dois filhos do casal, que não deveriam sofrer a dor dos adultos. Ele compartilhou no Facebook sua experiência de como passou a agir com a ex-mulher após o divórcio, o que chamou a atenção de muitos internautas:

“ É o aniversário da minha ex-esposa hoje, então eu levantei mais cedo e comprei flores, cartões e presentes para as crianças darem para ela. Eu também os ajudei a fazer um café da manhã para ela. Como sempre acontece, uma pessoa me perguntou por que eu continuo fazendo todas essas coisas por ela. Isso me irrita. Então vou deixar claro de uma vez por todas. Eu sou pai de dois meninos. A maneira como eu trato a mãe deles vai moldar significantemente como eles veem e tratam outras mulheres. Isso vai afetar suas percepções de relacionamento ”.

Durante uma relação afetiva ou mesmo após a separação, os envolvidos deveriam fazer a seguinte reflexão:

“Meu comportamento está servindo como modelo ou bom exemplo para meu filho?”

Por mais que você tenha criado péssimos sentimentos pela pessoa que amou no passado, saiba que toda agressão, seja ela de qual natureza for (física, verbal ou econômica), irá afetar muito mais seu filho que o (a) ex.

Se você provoca, xinga, humilha ou agride fisicamente a pessoa com quem gerou uma criança, o maior prejudicado, é óbvio, será o filho.

O problema é tão grande, que o legislador federal brasileiro decidiu interferir. Criou legislação em 2010 que trata da “alienação parental”.

A lei prevê punição para pais ou mães que tentarem desqualificar a imagem um do outro quando estiverem com os filhos.

Diz a lei, que alienação parental é “a interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente promovida ou induzida por um dos genitores”.

Vamos a alguns exemplos maléficos para um filho:

I – realizar campanha de desqualificação da conduta do genitor no exercício da paternidade ou maternidade;

II – dificultar o exercício da autoridade parental;

III – dificultar contato de criança ou adolescente com genitor;

IV – dificultar o exercício do direito regulamentado de convivência familiar;

V – omitir deliberadamente a genitor informações pessoais relevantes sobre a criança ou adolescente, inclusive escolares, médicas e alterações de endereço;

VI – apresentar falsa denúncia contra genitor, contra familiares deste ou contra avós, para obstar ou dificultar a convivência deles com a criança ou adolescente;

VII – mudar o domicílio para local distante, sem justificativa.

Portanto, se seu relacionamento afetivo ruiu e você tiver filho, saiba que tudo que fizer ou desejar de mal para o ex, refletirá de forma muito mais negativa nessa criaturinha por quem você diz ter amor incondicional.

 Dizer apenas que ama o filho não tem muito valor na prática. São apenas palavras ao vento.

Amar verdadeiramente um filho é acolhê-lo e protegê-lo nos momentos mais difíceis. Se a separação é dolorosa para os adultos, imagine para os pequeninos.

Depois dessa explanação, pense duas, três, melhor, reflita dez vez antes de agir de forma negativa ou maldosa contra seu ex, pois se for impiedosa, estará ferindo muito mais a criaturinha que vocês geraram do que a pessoa amada que virou desafeto (a).

JORGE LORDELLO


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