SÍNDICOS: SERÁ QUE ECONOMIZAR SEM QUALIDADE É A MARCA DA SUA ADMINISTRAÇÃO?

A experiência que adquiri realizando centenas de palestras e treinamentos sobre segurança em prédios residenciais, me mostrou que é grande o número de síndicos que tem como marca de sua administração a economia. Alardeiam aos quatro cantos que conseguiram diminuir os gastos e custos. Os moradores...

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A experiência que adquiri realizando centenas de palestras e treinamentos sobre segurança em prédios residenciais, me mostrou que é grande o número de síndicos que tem como marca de sua administração a economia. Alardeiam aos quatro cantos que conseguiram diminuir os gastos e custos. Os moradores ficam contentes, pois isso reflete no valor da taxa condominial.

Mas uma pergunta é fundamental?

Qual foi a estratégia usada pelo administrador para gastar menos?

São dois os problemas que influenciam, e muito, na segurança patrimonial do local, por isso, é importante alertar aqueles que moram em condomínios:

1) Preço Baixo: o síndico começa um verdadeiro leilão de preços, mas esquece de verificar a qualidade do que está adquirindo. Realmente, com essa estratégia, os gastos serão menores, mas será que essa é a melhor estratégia? Creio que não! O leitor quando vai adquirir algo para sua casa ou comprar vestimenta ou utensílio pessoal, escolhe o mais barato ou procura adquirir produtos e serviços com qualidade? Tendo condição financeira, é  razoável que procure fechar negócio com produtos e serviços de qualidade, pois o custo x benefício irá compensar o preço mais alto. Para ilustrar esse tema, acompanhe a seguinte constatação: de cada 10 prédios que visito, em 6 a cerca sensoreada perimetral não está funcionando. Mas qual o motivo? O equipamento instalado é de péssima qualidade, conhecido pelos especialistas por Ching Ling. O morador contente com a diminuição ou manutenção da taxa condominial, não percebe que o local onde mora está vulnerável.

2) Solução Caseira: conheço alguns síndicos que batem a mão no peito e bradam: “Reduzi os gastos no prédio fazendo a maioria dos serviços no edifício com meus funcionários” É comum, entre os funcionários de portaria, zelador e até alguém da limpeza conhecer um pouco de instalação eletrônica. Dessa forma, o síndico passa a comprar equipamentos direto do fabricante e seu colaborador faz a instalação. Mas será que esse funcionário do prédio tem realmente capacidade técnica para executar serviço tão importante? É óbvio que não! Recentemente, proferi palestra em condomínio na zona sul de São Paulo, onde o síndico me mostrou o sistema eletrônico para controle de pessoas e veículos. Ele vibrava ao dizer que tinha adquirido os equipamentos na Rua Santa Efigênia e que o zelador promovera toda a instalação. Com isso conseguiu economizar mais de R$ 5 mil. Durante a palestra, indaguei aos moradores se tinham se habituado com os equipamentos eletrônicos recém instalados; a grita foi geral. A reclamação é que o sistema travava constantemente. O síndico ficou sem graça com tanta gente insatisfeita e disse: “Calma pessoal, estamos em fase de aperfeiçoamento do sistema”. Um morador alegou ter conhecimento na área de eletrônica e desabafou: “Na semana passada fui ver mais a fundo o que foi instalado em nosso prédio e percebi que só fizeram gambiarra”.

Síndicos devem entender que economizar a qualquer custo jamais será um bom negócio e sequer habilita alguém como bom administrador.

É importante verificar a realidade financeira do condomínio, listar as principais necessidades e realizar cronograma para execução com foco em qualidade/resultado e não em preço baixo, que, geralmente, é sinônimo de ineficácia ou inoperância.

Lembre-se que se gastar mal dentro do seu lar a responsabilidade é exclusivamente sua, mas como síndico, se investir mal o dinheiro do caixa do prédio, terá que prestar contas aos condôminos e, quiçá, ressarcir os prejuízos em face dos erros de administração.

                                                                                               JORGE LORDELLO


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